Tenho tempo, pensei. Mas, como estamos em Portugal e nada funciona a 100%, ou mesmo a 50%, e como tudo exige esforço triplicado porque há sempre um obstáculo, uma coisinha que falta, um nadinha que impede a execução da tarefa, é melhor iniciar o processo. Antes das expirações.
A saga começou.
Entrados no túnel da Administração Pública, chega-se muitas vezes ao cruzamento da impotência com a incompetência. Ele há, como dizia o conselheiro Gama Torres do Eça, um asno magnífico, “questões terríveis”.
Comecei por ver no Google como renovar o passaporte, para o caso de alguma coisa ter mudado na Administração, dita Pública. A app SIGA dá-nos a hipótese de marcação num local de atendimento à nossa escolha, da nossa conveniência, com a data também em opção múltipla. Escolhemos a Boa-Hora. E a primeira data disponível é só a 30 de junho. Estávamos em maio. Marcado o atendimento, havia que esperar. Por mail, chegou a confirmação, tudo bem, os serviços funcionavam.
Uns dias depois, novo mail, a marcação tinha sido cancelada, sem mais. Nem atendimento, nem passaporte renovado. Nem alternativa. Siga a SIGA.
A saga continuou. Lá fomos de novo à app, esse sinal de progresso, tão funcional, tão ao alcance digital, tão, digamos, moderna ou mesmo contemporânea. Várias opções, a nossa é o IRN Registo, certo, e a opção Passaporte — pedido. Seguidos os trâmites, surge a mensagem a dizer que não há datas disponíveis para a marcação. Tirar senha para o próprio dia também apresenta dificuldades, continua a indisponibilidade. Durante mais de uma semana, esta a situação. Não há datas. Certamente num glitch cibernético, num dia aparece a senha de atendimento disponível na Boa-Hora, se formos a voar até lá. Um minuto. Não dá tempo, nem o Flash. Nem o Super-Homem. No segundo seguinte, dissipa-se a possibilidade e regressa a indisponibilidade.
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Isto é Portugal. Nada acaba aqui desde os Templários.
No EXPRESSO 👈👈


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