9 de junho de 2026

Um poeta curdo

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"Continuava a pensar na avó de Saramago, que escreveu nas suas Pequenas Memórias: 'O mundo é tão bonito que me entristece pensar que tenho de morrer."

Não surpreende, por isso, que uma das suas peças se intitule Vida, Amo-te Muito.

No seu poema Coisas Que Não Estão Aqui, enumera tudo aquilo que falta na vida prisional:

"Não há flores, nem rios, nem pão acabado de cozer, nem mulheres, nem a mudança das estações, nem eclipses da Lua."

Mas, como afirma o poema, existe "sempre uma saída".

A sua "saída" foi a literatura e a imaginação.

"No sentido de preencher a palavra 'vida' com significado, vivi muito pouco. Por essa razão, refugiei-me na minha imaginação e passei a multiplicar as memórias através da ficcionalização; encontrei apoio na criatividade”, escreve na sua autobiografia Não Destruir o Formigueiro.

Os regulamentos da prisão permitiam-lhe ter apenas sete livros de cada vez. Foi assim que descobriu o Livro do Desassossego de Pessoa.

“Havia qualquer coisa na sua melancolia; a sua obra estimulava a imaginação.”

“Parecia, então, que, tal como Pessoa fizera, era possível resistir à opressão refugiando-se na literatura e na arte e, desse modo, viver novas vidas.”

Depois veio Saramago.

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