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"Continuava a pensar na avó de Saramago, que escreveu nas suas Pequenas Memórias: 'O mundo é tão bonito que me entristece pensar que tenho de morrer."
Não surpreende, por isso, que uma das suas peças se intitule Vida, Amo-te Muito.
No seu poema Coisas Que Não Estão Aqui, enumera tudo aquilo que falta na vida prisional:
"Não há flores, nem rios, nem pão acabado de cozer, nem mulheres, nem a mudança das estações, nem eclipses da Lua."
Mas, como afirma o poema, existe "sempre uma saída".
A sua "saída" foi a literatura e a imaginação.
"No sentido de preencher a palavra 'vida' com significado, vivi muito pouco. Por essa razão, refugiei-me na minha imaginação e passei a multiplicar as memórias através da ficcionalização; encontrei apoio na criatividade”, escreve na sua autobiografia Não Destruir o Formigueiro.
Os regulamentos da prisão permitiam-lhe ter apenas sete livros de cada vez. Foi assim que descobriu o Livro do Desassossego de Pessoa.
“Havia qualquer coisa na sua melancolia; a sua obra estimulava a imaginação.”
“Parecia, então, que, tal como Pessoa fizera, era possível resistir à opressão refugiando-se na literatura e na arte e, desse modo, viver novas vidas.”
Depois veio Saramago.
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