17 de setembro de 2025

Opina Clara Ferreira Alves

 


Ainda mal as palavras tinham arrefecido, quando veio a cacetada. António Costa, presidente desse órgão fundamental que é o Conselho Europeu, deu uma internacional entrevista ao “Financial Times” aproveitando um intervalo em que Macron se calou porque tinha a casa a arder. E anunciou que, no que à União Europeia dizia respeito, a página de Trump tinha sido virada. “Turned the page.” A UE e o Presidente americano, vulgo “The Boss”, tinham chegado a um acordo sobre a defesa europeia, o comércio europeu com as tarifas e, evidentemente, o futuro da Ucrânia. Cândido, disse Costa: “Se olharmos nove meses para atrás, em janeiro, toda a gente estava realmente com medo, especialmente sobre as nossas relações com os Estados Unidos.”


É sempre um sinal de vigor confessar que se estava com medo, muito medo. Costa anunciou assim a estabilização das relações transatlânticas. Não disse como, e, que me lembre, se falou com Trump foram dois segundos de indiferença perante os propósitos do presidente do Conselho Europeu, cuja potestade deixa Trump frio.


Ao cabo de ataques com drones desviados em território polaco e, parece, romeno, contra-atacados com formidáveis caças F-35 que fazem da retaliação da NATO o equivalente a matar uma formiga com uma marreta, e de mais bombardeamentos na Ucrânia e mais ataques com drones, desta vez armados, a Europa ficou à espera das famigeradas sanções contra a Rússia anunciadas por Trump tantas vezes que nem vale a pena falar disso. Tinham virado a página.


Não? Não. Trump arranjou uma nova missão para a NATO, tratando a NATO como um corpo estranho aos Estados Unidos. Além das missões anteriores que consistiam em comprar armamento americano e energia americana, ao ritmo de triliões. Triliões, uma quantidade ignorada pelos europeus, habitualmente. Seiscentos biliões para aqui, mais setecentos para ali, e depois fazemos contas. Com aquela clareza que o determina, Trump rematou que graças à guerra com a Ucrânia e à defesa da Ucrânia, a América ia fazer bom dinheiro. Era um bom negócio. E é. 


***

Sem comentários:

Enviar um comentário