Pedro Henriques
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O luto tem cinco fases, descritas no modelo de Kübler-Ross: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. O processo de adaptação à IA não fugirá muito a este roteiro; provavelmente teremos de atravessar estas etapas (idealmente saltando a depressão) até chegarmos à aceitação. Não vamos conseguir eliminar por completo o impacto psicológico e social negativo da IA. Acreditar nisso seria irrealista e, em certa medida, ingénuo. O que podemos fazer é trabalhar para prevenir e mitigar esses efeitos, tanto quanto possível. Historicamente, os humanos sempre manipularam outros humanos. A diferença é que a IA está a escalar esse nível de manipulação, mas os fios da marioneta continuam, pelo menos por agora, nas mãos de pessoas.
A confiança na IA e nos humanos pode coexistir, desde que ajustemos a própria definição de confiança. Não confiamos moralmente no GPS, mas confiamos que nos dá, em condições normais, a melhor rota: não tem motivos para nos indicar deliberadamente a direção errada, a menos que o sistema esteja comprometido. O mesmo pode aplicar-se a sistemas de IA, sobretudo se forem desenhados de forma descentralizada, auditável e fora do controlo exclusivo de grandes empresas com interesses opacos.
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