2 de fevereiro de 2026

Quem segura o leme ?

Num país cada vez mais vulnerável às alterações climáticas, continuar a hesitar na mobilização do Exército em situações de calamidade não é prudência. É medo de assumir responsabilidades.

E esse medo paga-se caro, sobretudo por quem perde tudo.

Há momentos em que um país se vê ao espelho. Não nos dias bons, nem nas inaugurações, nem nos discursos preparados. Vê-se quando tudo falha. Quando chove demais, quando as casas caem, quando as pessoas ficam isoladas, quando as comunicações desaparecem e o medo entra pelas portas dentro.

É nesses momentos que a pergunta se impõe, simples e brutal: onde está o Estado? E, mais concretamente, onde está o Exército?


Escrevo isto não como comentadora de bancada, mas como advogada e cidadã. Como alguém que conhece o peso das palavras, das normas e das responsabilidades. E como alguém que sabe que, em democracia, o poder não se mede apenas pelo que está escrito, mas pelo que é feito quando a realidade deixa de caber nos comunicados oficiais.


O Exército Português não é uma entidade decorativa. Não existe apenas para desfiles, missões externas ou exercícios que ficam bem em relatórios internacionais. Existe, antes de mais, para proteger o país e as pessoas que nele vivem. E isso inclui, inevitavelmente, a resposta a catástrofes em território nacional.

Quando vemos populações isoladas, estradas intransitáveis, falhas prolongadas de comunicações e uma resposta civil claramente insuficiente, a ausência visível do Exército no terreno não é apenas estranha. É inquietante.


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Do EXPRESSO 👈👈

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