25 de janeiro de 2026

Se digo rouxinol (poesia)

 

É para ti que escrevo. 

E não me engano se digo rosa riso rouxinol. 

É para ti que escrevo. 

E todo o ano na carta que te escrevo bate o sol.


É para ti que escrevo. 

E não te digo a cidade a saudade o desespero. 

E não te conto os dias em que conto o sem conta dos dias em que espero.

É para ti que escrevo. 

Que loucura esta renda de letras no papel 

esta rede de traços de amargura 

este recado que me rói na pele.

É para ti que escrevo. E sou constância.

Como não sê-lo em carta 

selo tinta por naves aves ar

voo distância onde és fome de mim de ti faminta?

***

Rosa Lobato Faria 

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