É para ti que escrevo.
E não me engano se digo rosa riso rouxinol.
É para ti que escrevo.
E todo o ano na carta que te escrevo bate o sol.
É para ti que escrevo.
E não te digo a cidade a saudade o desespero.
E não te conto os dias em que conto o sem conta dos dias em que espero.
É para ti que escrevo.
Que loucura esta renda de letras no papel
esta rede de traços de amargura
este recado que me rói na pele.
É para ti que escrevo. E sou constância.
Como não sê-lo em carta
selo tinta por naves aves ar
voo distância onde és fome de mim de ti faminta?
***
Rosa Lobato Faria


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