No Observador
| ||||||
| ||||||
| ||||||
| ||||||
Como um rio correm os dias e este espaço é uma margem onde deito pedrinhas à água.
No Observador
| ||||||
| ||||||
| ||||||
| ||||||
"As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos."
Ricardo Reis
Regimes como o de Putin, tal como o de Xi ou o dos aiatolas, só respeitam uma coisa: a força. Como qualquer bullyzinho de esquina, são cobardes, fortes com os fracos e fracos com os fortes.
Queremos evitar uma nova guerra mundial? Queremos continuar a viver em liberdade? Os países (ainda) livres têm de mostrar união. E determinação. E, acima de tudo, força.A frase é atribuída ao autor romano do quarto ou quinto século, Flávio Vegécio.

Na cena final de “Munique”, filme realizado em 2005 por Steven Spielberg, um agente secreto que durante anos perseguiu palestinianos tidos como responsáveis pelo massacre dos atletas israelitas nos Jogos Olímpicos de Munique (1972), interroga-se em Nova Iorque sobre o sentido da sua missão, perguntando ao respectivo chefe se, por cada quadro inimigo eliminado, não haveria o risco de despontar um outro ainda pior. Em fundo, viam-se as Torres Gémeas, então ainda inteiras.
Desde a fundação do estado de Israel, em 1948, os seus dirigentes, perante as ameaças à volta, julgam-se no direito de interpretar as leis internacionais como entenderam e, se necessário, eximirem-se do cumprimento das mesmas.
Em particular, criaram uma eficiente máquina de matar, visando a eliminação (relativamente) seletiva de inimigos, sem igual no mundo. Uma história cujos primórdios remontam às ruas de Jerusalém em 1944, quando militantes sionistas radicais mataram a tiro Thomas James Wilkin, oficial da polícia britânica (o Reino Unido era a potência que então administrava a Palestina). E que prosseguiu durante décadas, ganhando em sofisticação técnica o que por vezes perdeu em autoproclamada eficiência cirúrgica.
...
Rui Cardoso
No Expresso

********
Hoje há mais:
7ª Etapa / Felgueiras - Paredes / 160,4 Km
1 agosto
Durante a longa luta dos polícias, marcada por excessos chocantes para os cidadãos, sempre me intrigou por que razão nunca ninguém, que eu saiba, havia questionado o suposto direito ao tratamento igualitário dos agentes policiais relativamente aos da Polícia Judiciária. Aparentemente, todos aceitavam ser uma injustiça o tratamento desigual.
Mas seria injusto porquê? Por que se entendia existir tratamento desigual? Bem vistas as coisas, são mais as diferenças do que as semelhanças entre uns e outros: exigem-se-lhes qualificações distintas; as condições de trabalho, incluindo de tempo, são diversas; as tarefas que desempenham são substancialmente diferentes; os riscos que correm, uns e outros, também. A igualdade decorre automaticamente do uso da palavra “polícia”? Como nunca se discutiu a substância da suposta igualdade, atrás dos polícias vieram os guardas prisionais. E virão, provavelmente, os bombeiros. E, talvez, inspetores e fiscais variados.
...
Sem tais critérios, as reivindicações vão sendo objeto de soluções pontuais erráticas, que resolvem, temporariamente, um problema e criam outros.
João Caupers
In Diário de Notícias
Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis
Deixe-te de histórias
Some-te daqui.
Vinicius de Moraes
No Observador
| ||||||||||||
| ||||||||||||
| ||||||||||||
Ela representa a inteligência, sabedoria e conhecimento. Também simboliza a reflexão, a racionalidade e a intuição. Esse animal tem o poder de enxergar através da escuridão, conseguindo ver o que outros olhos não alcançam. Na mitologia grega, Atena, deusa da sabedoria, tinha a coruja como seu animal de poder.
******
José Saramago
"A poesia está guardada nas palavras -
é tudo o que eu sei.
Meu fado é de não entender quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não cultivo conexões com o real.
Para mim poderoso não é aquele que descobre ouro.
Poderoso para mim é aquele que descobre
as insignificâncias: do mundo e as nossas.
Por essa pequena sentença
me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios."
Poema - Manoel de Barros
Não brilha o sol,
Nem póde a lua
Brilhar na sua
Presença d'ella!..
Nenhuma estrella
Brilha deante
Da minha amante,
Da minha amada!
A madrugada
Quanto não perde!
O campo verde
Quanto esmorece!
Quanto parece
A voz da ave
Menos suave
Que a sua falla!
.........
Nunca do fundo
Do oceano
Foi braço humano
Colher tão linda
Perola ainda,
Como a formosa
Candida rosa
Que eu amo tanto!
Não sei de santo
Que ha no seu gesto!
No ar modesto
D'aquelle todo...
N'aquelle modo...
Que tudo esquece,
E nos parece
Estar no céo!
João de Deus,
in 'Ramo de Flores'
********
Enlevo, é o que me despertam certas imagens. Felizes os que mantêm a chama acesa por toda a vida.
Com um outono quente à espera, desejo-lhe, caríssimo leitor, um verão o mais sereno possível, sendo certo que a 'estação palerma' (a 'silly season' ou 'o buraco de verão' como lhe chamam os alemães) não será, desta vez, um vazio de notícias. Há que seguir a coragem da Venezuela na rua contra a vergonhosa ditadura de Maduro. Há o furacão Kamala Harris que deixou Trump atarantado. Há Macron a cozinhar uma solução para a França no arame. Há o entalanço dos Açores, onde Montenegro tem que dizer 'não é não' a excluir filhos de desempregados das creches. E há um país a vomitar turistas.
...
Ângela Silva
EXPRESSO