17 de junho de 2026
Gueorgui Gospodínov
Tudo frio (culinária)
Está calor de mais - só apetece comer coisas frias.
Inclui salada de tomate, pepino e cebola com orégãos e boa sardinha portuguesa de conserva.
E também há fruta e/ou queijo. Se apetecer.
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Ao jantar haverá mais peixe
Opina Luis Pedro Nunes
Talvez tenha passado despercebido, mas Marco Aurélio é hoje um sucesso editorial. Há Marco Aurélio para líderes, empreendedores, atletas, ansiosos e jovens homens em crise. O imperador romano que escreveu as “Meditações” para si próprio, nas campanhas danubianas, para suportar o peso do cargo, transformou-se no guru involuntário da autoajuda dos bros da machosfera instagramável. A sua obra aparece agora reduzida a vídeos com música à “Gladiador”, frases apócrifas sobre o poder da mente, banhos gelados, ginásio, produtividade, misoginia higienizada, culto da disciplina e fantasia de autossuficiência.
Vende-se como protocolo: uma citação matinal, um mergulho em água fria, algum desprezo pelo mundo e uma amputação emocional rebatizada como autocontrolo. Tudo errado, sei. Mas sim, Marco Aurélio é hoje um chefe espiritual do rapaz perdido.
Já andava desconfiado. Há meses, no ginásio, um tipo do ferro confessou-me, com orgulho, que estava a começar o seu primeiro livro. Perguntei qual era. Disse-me que era sobre as “Meditações”, de Marco Aurélio. Quando Marco Aurélio chega à conversa entre séries de supino, já não estamos perante um livro antigo. Estamos perante um sintoma.
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Navegar, navegar
"Navigare necesse; vivere non est necesse" (Navegar é preciso; viver não é preciso).
16 de junho de 2026
Gustavo Adolfo Bécquer
Uma das figuras mais importantes da literatura espanhola, e é considerado por alguns como o escritor mais lido depois de Miguel de Cervantes.
Opina Clara Ferreira Alves
Nunca se inventou nada assim. Os políticos estão preocupados em sobreviver nas próximas 24 horas
Passei o último ano a dialogar com modelos de LLM, dois em particular. Aquilo que chamamos inteligência artificial. Os Large Language Models estão apetrechados para gerar e compreender a linguagem humana. O que conheço pior e uso menos é o ChatGPT. Preconceito contra a figura de Sam Altman, um dos oligarcas americanos que se embrulhou numa refrega judicial com Elon Musk. Musk acusou-o de pretender transformar o LLM num modelo generativo de capital, em vez de professar uma espécie de fé ontológica nas virtudes do modelo. Temos de tomar isto com um grão de ironia.
Musk perdeu velocidade na corrida bilionária [trillionaire] para a IA e os centros de dados que são servidos por computação devoradora de energia. Musk não gosta de perder nem a feijões. Zuckerberg, que apostou tudo no futuro da Meta, o Metaverse, e da realidade virtual, enganou-se. Em vez de passarmos a usar óculos (por ele fornecidos) para viver a vida num ecrã com imagens geradas pelo Metaverse, indo passar férias numa ilha azul sem sair da poltrona, em vez de passarmos a avatares, vamos passar a ciborgues do trans-humanismo. Fundidos, o nosso cérebro com o cérebro da IA. A máquina, para simplificar. A Meta já tem a sua IA.
O facto de Zuckerberg se ter enganado e o império das redes se ter tornado obsoleto deu-me prazer. Sempre achei Zuckerberg um avatar, um ciborgue cujas invenções deram cabo da realidade. As redes sociais foram os mecanismos mais destrutivos da democracia e da personalidade de que há memória, criadores de personas em que se projetavam as vidas banais ou miseráveis de gente que bebeu no Facebook e no Instagram a gota de néctar do narcisismo.
Os LLM vão acabar por destruí-los, criativamente. É curioso ouvir dizer que a IA vai chegar. Não vai chegar. Chegou. Vai, sim, aperfeiçoar-se, e se considerarmos a evolução dos últimos anos, vai aperfeiçoar-se para além dos sonhos mais longínquos e mitológicos ou mitómanos da espécie humana. A IA está inventada. Cabe às elites e classes políticas, mal equipadas para compreender um fenómeno cientificamente opaco e que é invenção e propriedade de uma elite de cérebros que não são iguais aos outros, muitíssimo mais inteligentes e visionários, perceber como se podem preparar para tratar o fenómeno de modo a não o tornar uma ameaça pública. No mercado do trabalho, tudo será diferente. Numa sociedade capitalista de consumidores, abolir o direito ao consumo pela inexistência de emprego, substituído por superior e eficiente IA que não cobra salário nem adoece, será uma catástrofe económica e social. A China já percebeu e começou a legislar. A IA trará grandes benefícios e grandes malefícios. Trará prosperidade para uns e destituição para outros. Simplificará processos, corrigirá falhas humanas. Eliminará o desperdício e a procrastinação.
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Gosto de ler Aramburu
Fernando Aramburu, escritor basco autor de 'Pátria', conversou com o Expresso na Feira do Livro sobre a sua obra centrada no País Basco e nos tempos do terrorismo da ETA. O autor, que vive na Alemanha há 41 anos por amor, destacou a importância das personagens femininas nos seus romances, influenciadas pelo convívio familiar com mulheres fortes. Aramburu abordou a transformação do País Basco após a extinção da ETA, defendendo que hoje existe maior aceitação da democracia. O escritor revelou o seu processo criativo, incluindo a regra das 50 páginas para decidir continuar um projeto, e a sua filosofia de não repetir fórmulas, mesmo após sucessos como 'Pátria'. Mostrou-se favorável à autonomia das adaptações da sua obra e elogiou autores portugueses como Eça de Queirós, considerando-o um dos maiores romancistas mundiais.
Resumo gerado por IA e editado pelo Expresso
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Vou começar a ler este





















































