3 de fevereiro de 2026

Um livro de poesia


Sostienes un lenguaje

que está roto.


Las palabras que exigen ser

escritas estallan en metálico

silencio.


No preguntes.

Ya no hay nadie.


Y todo está por decir.


***


Un sigilo de palabras

se desliza

por el hueco inerte del poema.


Como cuchillo,

hiere la hondura

con precisión caligráfica.


Certero

vibra el metal.


Y el dolor,

desguarecido.

Atenção, atenção


***

Nos últimos meses, a moeda chinesa tem-se mantido relativamente firme face ao dólar, apesar das tensões comerciais com os Estados Unidos. Ainda assim, analistas como o banco de investimento Goldman Sachs consideram que o renmimbi permanece subvalorizado - até 25% abaixo do seu valor justo, segundo um relatório de janeiro.

 Notícia d"AQUI 
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A ser real, é triste

 


Geração sem-abrigo

Há uma geração inteira de portugueses que nunca vai ter casa. Não é catastrofismo nem exagero. É matemática. E a matemática, ao contrário dos políticos, não engana.

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Sempre foi o símbolo de êxito na vida, para os portugueses, ter a sua casa própria. Vidas longas de trabalho e poupança para comprar ou construir uma casinha.

Peixe do dia (culinária)


Hoje vou cozer pescada. Será acompanhada de batata, cenoura e brócolos. Tempero com pimenta e azeite.


 

Opina Clara Ferreira Alves

 

Em Portugal, a palavra de ordem continua a ser escolher sempre a hipótese mais barata e depois logo se vê.


É comovente ver a quantidade de peritos e especialistas que este país tem. Quando acontece uma catástrofe, que começam a ser habituais, incêndios no verão e inundações no inverno, mais a permanente ameaça do sismo, começa o desfile de peritos e especialistas nas televisões, que alertam, avisam, repreendem, recordam e lamentam, explicando com voz pausada como tudo poderia ter sido diferente. E a catástrofe evitada. Ninguém os ouviu antes.

Temos também, a propósito de extremos, uma nova nomenclatura para as catástrofes, “eventos climáticos extremos”. Nada de emergência climática, nada de catastrófica desobediência à natureza, nada de aquecimento global, nada de, pelo menos isto, alterações climáticas provocadas pelo aquecimento global. Temos eventos, uma interpretação pós-moderna do fenómeno que dá a entender que, enfim, os eventos podem ou não repetir-se, mas são, na essência, de combustão espontânea e sem causa. O evento inventa-se e extingue-se. Não tem causa, ou tem uma causa excecional, e tem consequência. E para a consequência temos os salvadores da pátria, os políticos e os fundos europeus.

Em Portugal, devastado por “eventos climáticos extremos”, abriu a caça aos fundos, embora haja outros caçadores na Europa com semelhantes intenções, como a Itália, que a sul recebe “eventos climáticos extremos”. A Sicília também tem problemas de construção e de desenvolvimento económico e humano, além da trágica tendência para a apropriação indevida de fundos por atores locais que controlam o acesso. Muitas vezes, uma coisa em família, uma coisa nossa, cosa nostra. Ali, a criminalidade é profissional. Nós somos especialistas da negligência.

Os peritos e especialistas, na infinita sabedoria, usam muito a palavra garantidamente, um advérbio difícil. Garantidamente isto, garantidamente aquilo. Quando se lhe pede uma quantificação, ficam alarmados. Ficámos a saber que a rede energética enterrada, que poderia ter evitado, garantidamente, as piores consequências dos eventos extremos, não deixando as populações sem energia, sem comunicações, às escuras e abandonadas ao temporal, custa cinco a seis vezes mais que a rede energética em torres que o vento levou. Deve ser por isso que não foram enterradas. Era caro.


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Duas opiniões

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Capas de jornais






 

2 de fevereiro de 2026

A vida


 

Gonzalo Dávila Bolliger

 


Todo suicídio não é mais

Do que um assassinato tecido a várias mãos.

As cidades e os homens de negócio

Os países e as modelos planetárias

Olham da janela o céu imperturbável

E não percebem o grande apocalipse

Do velho que não dorme e do menino

Que pinta a sua noite em seu olhar…


E o que acontece é o seguinte:

Por muitos anos e noites mal dormidas

Engenheiros trataram de alfinetar o boneco

Até que este se alimentasse do seu sangue

E cometesse Harakiri.


A frieza dos metrôs

A mãe que caiu do mais alto arranha-céu

As meninas que a ridicularizavam por ser gorda

Fizeram que Amanda

Jogasse o seu corpo para dentro

E se ajoelhasse

No fundo do mar.


Já Carlos

Lembrou dos olhos que o batiam

Do pai que se arrependia de tê-lo gerado

Da esquizofrenia dada de presente ao nascer

E então ligou o gás

E esperou que a cozinha

Se convertesse no inferno…


Não, nunca esqueça:

Todo suicídio não é mais

Do que um apocalipse solitário

Cavado pelas mãos dos assassinos.

Para um dia cinzento

Num dia cinzento e sem muita actividade, pode haver um bom momento:

Sei disso por experiência própria. 🙏😋

Quem segura o leme ?

Num país cada vez mais vulnerável às alterações climáticas, continuar a hesitar na mobilização do Exército em situações de calamidade não é prudência. É medo de assumir responsabilidades.

E esse medo paga-se caro, sobretudo por quem perde tudo.

Há momentos em que um país se vê ao espelho. Não nos dias bons, nem nas inaugurações, nem nos discursos preparados. Vê-se quando tudo falha. Quando chove demais, quando as casas caem, quando as pessoas ficam isoladas, quando as comunicações desaparecem e o medo entra pelas portas dentro.

É nesses momentos que a pergunta se impõe, simples e brutal: onde está o Estado? E, mais concretamente, onde está o Exército?


Escrevo isto não como comentadora de bancada, mas como advogada e cidadã. Como alguém que conhece o peso das palavras, das normas e das responsabilidades. E como alguém que sabe que, em democracia, o poder não se mede apenas pelo que está escrito, mas pelo que é feito quando a realidade deixa de caber nos comunicados oficiais.


O Exército Português não é uma entidade decorativa. Não existe apenas para desfiles, missões externas ou exercícios que ficam bem em relatórios internacionais. Existe, antes de mais, para proteger o país e as pessoas que nele vivem. E isso inclui, inevitavelmente, a resposta a catástrofes em território nacional.

Quando vemos populações isoladas, estradas intransitáveis, falhas prolongadas de comunicações e uma resposta civil claramente insuficiente, a ausência visível do Exército no terreno não é apenas estranha. É inquietante.


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Do EXPRESSO 👈👈

Gentileza e sinceridade

"Treating people with kindness and sincerity are the principles by which I engage in interpersonal relationships."

Mo Yan was awarded the 2012 #NobelPrize in Literature for his writings in which he merges hallucinatory realism with folk tales and contemporary social issues.

 

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Opiniões




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1 de fevereiro de 2026

Thomas Carlyle

Mesmo o cataclismo de todos os sistemas solares e estelares apenas te poderia matar uma vez.

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Um homem que tenha rido com gosto ao menos uma vez na vida não pode ser de todo irremediavelmente ruim.

Thomas Carlyle

Os bons e os péssimos



“Nós”, os bons, "eles", os péssimos

O deslumbramento tecnológico faz-nos esquecer que nenhuma tecnologia prosperou pelos seus próprios avanços e inovações, mas sim pelo seu uso social.

O mecanismo fundador do populismo é a separação entre “nós” e “eles”. Essa separação encontra muitas formas de se transfigurar — de um lado o “povo”, do outro a “elite”, a “bolha mediática” versus o sentimento “popular” — e algumas destas dicotomias encontram acolhimento fora do mundo do populismo. Já ouvi jornalistas a falarem da “bolha”, e minimizarem o seu papel ao admitirem criticamente que fazem parte da dita “bolha”.

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No Público 👈👈