3 de novembro de 2026
Opina Henrique Monteiro
Há um discurso sobre os confrontos como se fosse a primeira vez que, nos últimos 52 anos que leva a democracia, a polícia dá com cassetetes em manifestantes. Não é. Muito menos é - como alguns excitados se apressaram a dizer (e Miguel Sousa Tavares, muito bem, demonstrou ser falso) igual ao que se passava antes do 25 de Abril. Também (como MST) andei a fugir da polícia de choque, do famigerado capitão Maltez, dos seus cães e cavalos, dos seus canhões de água e até de balas - sei lá se de borracha ou verdadeiras. Sei que, em 1972, um estudante foi assassinado por uma dessas balas (Ribeiro dos Santos) e outro ficou ferido (José Lamego, mais tarde deputado do PS e membro de um dos seus governos). Não comparando o que não se pode comparar, conheço suficientemente bem a cartilha para perceber a razão (até para a própria sobrevivência) de alguma esquerdalhada equivaler as situações ou dar estas como algo novo de especial gravidade. Já não se percebe bem a ideia do Governo em reprimir ações que, excetuando uns provocadores de capacete e cara tapada, são, no geral, pacíficas. O Governo, além da falta de empatia para o problema que mostrou, escusava de se meter nesta camisa de onze varas, sobretudo para depois (ontem) ver um tribunal (na verdade uma juíza) afirmar que a requerente Renata Cambra pode lá estar de tenda levantada até ao dia 24 de novembro. No entanto, a sentença tem tantos inuendos (como articular a decisão com os demais interesses constitucionalmente protegidos ligados à gestão do espaço público), que ainda vai dar pano para mangas. Ou seja, o que fazer com o Mercado de Natal?
Clara Ferreira Alves opina
Devo ter um problema de gosto. Na decoração e na gastronomia. Nas últimas vezes que pisei solo americano cometi o pecado mortal, e bastante plebeu, de comer na Cheesecake Factory. E comi cheesecake com amigos americanos. Quando piso solo americano, faço questão de não visitar brasseries pseudo-francesas ou Michelin minimalistas, moleculares e adornados como um quadro expressionista abstrato. Não vou atrás do Pollock no prato, e posso ser vista, para vergonha minha, ondeando perto da dita Cheesecake Factory, gloriosa junk food, e de BBQ Ribs com montes de um molho inclassificável. Tenho, segundo os fabulosos Obamas, gostos não só plebeus, isto o casal maravilha não disse, mas tenho o gosto de comer em sítios que parecem palácios de Saddam Hussein. Sei o que significa, estive dentro deles no Iraque. Not good.
A minha Cheesecake Factory foi em Boston, uma cidade que se caracteriza pelos pergaminhos aristocráticos, blue blood, elegância e bom gosto. Que diabo, se fosse em Little Rock, Arkansas ainda se tolerava (great ribs by the way), ou noutro descampado do Midwest. Boston? De todas as junk food joints do mundo tinha logo de escolher aquela.
Obama disse uma piada. Após meses de silêncio e pudor, construindo a Biblioteca e Arquivo dos papéis presidenciais, monumental arquitetura que homenageia um ego pronunciado, trabalhando para honrar o multimilionário contrato com a Netflix (com os mesmos efeitos do contrato do casal Sussex), angariando fundos pessoais à mistura com a dita fundação, Obama lançou-se na campanha das intercalares, as midterms. Para atacar Trump, o trumpismo, e os desastres da Casa Branca e do Partido Republicano. Antes, tinha posto a cabeça de fora para apoiar Mamdani, um socialista americano, na fase em que Mamdani era um vencedor quase indisputado contra dois candidatos do tipo exoesqueleto ou ectoplasma, à escolha. De resto, os Obamas têm tratado da vida e fazem bem. Na vida de Barack Obama tudo tem sido oferecido ou antes ou depois do tempo, como o Nobel da Paz, e as múltiplas honrarias, medalhas e reverência acrítica. E, no entanto, Obama gerou Trump, como se diz na Bíblia.
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2 de novembro de 2026
WSJ
The Wall Street Journal (WSJ) é um dos jornais de economia, finanças e política mais prestigiados e lidos do mundo.
Estão verdes
A frase popular vem da expressão consagrada "Estão verdes, não prestam". Refere-se a alguém que desdenha ou finge desprezar algo apenas porque está fora do seu alcance (uma referência à fábula de La Fontaine sobre a raposa que não consegue alcançar os cachos de uva e diz que estão verdes).


















































