4 de julho de 2026

O que está vindo ?

 


Meteored España

Bavi se ha intensificado hasta un supertifón de categoría 5 y se prevé que el "monstruo" tropical triplique su tamaño

Gran parte de la comunidad científica meteorológica está pendiente de un "monstruo" tropical, Bavi, que se está desarrollando en el Pacífico por diversos motivos. Uno de ellos es que su presión mínima prevista podría acercarse a la del supertifón Tip que llegó a los 871 hPa y es el actual récord mundial.

Liberdade


 

Curtas e variadas



















 Pido la paz y la palabra


Escribo
en defensa del reino
del hombre y su justicia. Pido
la paz
y la palabra. He dicho
«silencio»,
«sombra»,
«vacío»
etcétera.
Digo
«del hombre y su justicia»,
«océano pacífico»,
lo que me dejan.
Pido
la paz y la palabra.

Blas de Otero

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Dificuldade



 

3 de julho de 2026

Curtas e variadas













 

Rodrigo Guedes de Carvalho opina

 

Esqueçam misérias do momento ou azedas trocas de cromos sobre Ronaldo, O Nosso Santinho, e Ronaldo, Já Te Ias Embora. Deixem-me recordar-vos Agapito Pinto, o youtuber rural que vos apresentei, aliás, vai para oito anos, e ainda nada disto era o que é hoje, o que só lhe acentua dotes de futurista.


Vocês lembram-se. Filmou-se numa matança do porco, a surgir entre o espectador e os guinchos lá ao fundo, a elucidar-nos que “o porco não quer”. É um género de conclusão adequada à época. Com a espantosa dedução de que os porcos parecem não apreciar ser esventrados, o bom Agapito foi pioneiro de uma, vá lá, uma tendência, chamemos-lhe assim. Conhecemos hoje reles imitadores que nos recordam que “nunca perdemos, só ganhamos ou aprendemos”, e que “todos as grandes caminhadas começaram com um pequeno passo”.


Bastou-lhe uma matança do porco, ao Agapito, para se tornar famoso. Houve também a velhota que fazia 100 anos e morreu no exacto sopro com que apagava as velas e o Agapito estava a filmar tudo, mas o próprio explicou mais tarde que se tratou de sorte acidental, o que se passa é que ele não poderia desperdiçar a ocasião de meter no YouTube e ficar ainda mais conhecido, porque a vida é assim mesmo, e a gente tem de ter faro para o sucesso. Lembrarão que houve milhares de comentários a insultá-lo, a dizer como é possível, quem é este atrasado mental, mas cada insulto é uma visualização, parecem campainhas sem descanso, em pouco tempo ultrapassou os vídeos de miúdas a ganir com guitarras, a ver se as editoras de discos lhes pegam, o pessoal que põe as gracinhas dos filhos no banhinho, as miúdas que se filmam no espelho do ginásio indignadas porque estão a olhar para elas.


Nas empresas estão naturalmente os melhores gajos do marketing, aqueles que cheiram um bom negócio ainda estamos nós todos a dormir, mas de início também esses


— Isto é inacreditável, abjecto, como é que isto tem tantas visualizações.


Mas se há coisa que o pessoal do marketing sabe, porque estudaram essas cenas, e as estratégias, os targets, o build-up, se há coisa que lhes levanta logo a orelha são milhares de clientes, ali à espera, sentadinhos, mesmo, mesmo à espera de um bom anúncio que os direccione da página do Agapito para uma empresa de prestígio, que vende inutilidades de última geração com que a malta se endivida.


E é então que o Agapito tem mais uma ideia do cacete, lembra-se que os portugueses adoram acidentes, não deve haver cena que mais os excite, basta dois carros darem um toque que só partiu dois piscas e é tudo a abrandar, é logo uma fila que alto lá com ela, o polícia bem pode irritar-se.


— É andar, é andar...


É então que o Agapito tem mais uma ideia do cacete, lembra-se que os portugueses adoram acidentes, não deve haver cena que mais os excite


Que a malta não anda enquanto não perceber, enquanto não vir bem, então se a coisa foi a sério, um dos carros a arder e o outro capotado, então é o pagode, a fila abranda e abranda e fica mesmo parada, com sorte ainda se vê um ferido, ou com mais fortuna um morto, esse momento de alívio de todo o mirone.


— Ainda bem que não fui eu.


Não tendo nenhum curso de Marketing ou Gestão, o Agapito é habitado por um instinto empreendedor, de forma que começa por se colocar numa curva perigosa a caminho da aldeia, com a câmara ligada, a ver se alguém se balda a derrapar, mas os dias passam e nada, e o Agapito num desespero, pelo que tem de puxar pela cabeça, afina estratégias, como se faz nas reuniões das empresas, e numa só semana deita a mão a gatos, galinhas, coelhos e cachorros da vizinhança, enfia-os em cestas e sacos, volta para a curva apertada, aponta a câmara, e um belo dia lá vem um carro a descer, por acaso é a Adozinda com os filhos, mas o Agapito não sabe, e, que soubesse, pega no gato pelo cachaço, atira-o para a estrada, a Adozinda, que já guia mal sem gatos a atrapalhar, guina tudo à esquerda contra uma árvore, e quando já tem filmagens suficientes para o que se chama o início de um projecto, mete tudo na internet, com o aviso que nunca falha.


— Cuidado imajens munto chocantes.


E tanta gente vai lá ver, mas tanta gente, que nos jornais e nas televisões, depois de uma primeira hesitação.


— Isto é terrível.


Alguém lembra que os vídeos do Agapito já trazem aquela etiqueta de êxito a que é muito difícil, impossível resistir.


— Sim, mas a verdade é que já é viral.


— Sim, lá isso é, lá isso é.


— Se não pomos no ar.


— Alguém põe.


— E repara uma coisa, um acidente é notícia, tem de ser, senão estamos a dizer às pessoas que é uma coisa normal.


— Sim, de facto.


— Aproveitamos para entrevistar entidades sobre os perigos nas estradas, o álcool ao volante, o desrespeito pela velocidade.


— Sim, é por aí, bem visto, bem visto.


— Serviço público, no fundo.


— Sim, no fundo.


— Até falamos da desertificação do interior abandonado, estradas em más condições por falta de investimento.


— Isso.


— E pensa assim, os acidentes têm um lado bom, aparecem mais corações para os transplantes.


— Pois é, não me tinha lembrado, há mais essa, é só vantagens.

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