Todo suicídio não é mais
Do que um assassinato tecido a várias mãos.
As cidades e os homens de negócio
Os países e as modelos planetárias
Olham da janela o céu imperturbável
E não percebem o grande apocalipse
Do velho que não dorme e do menino
Que pinta a sua noite em seu olhar…
E o que acontece é o seguinte:
Por muitos anos e noites mal dormidas
Engenheiros trataram de alfinetar o boneco
Até que este se alimentasse do seu sangue
E cometesse Harakiri.
A frieza dos metrôs
A mãe que caiu do mais alto arranha-céu
As meninas que a ridicularizavam por ser gorda
Fizeram que Amanda
Jogasse o seu corpo para dentro
E se ajoelhasse
No fundo do mar.
Já Carlos
Lembrou dos olhos que o batiam
Do pai que se arrependia de tê-lo gerado
Da esquizofrenia dada de presente ao nascer
E então ligou o gás
E esperou que a cozinha
Se convertesse no inferno…
Não, nunca esqueça:
Todo suicídio não é mais
Do que um apocalipse solitário
Cavado pelas mãos dos assassinos.