23 de junho de 2026

De "encher o olho"


Ameixas quase do tamanho de maçãs.    👀

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A expressão "encher o olho" (ou "de encher os olhos") significa agradar, atrair a atenção ou despertar desejo e admiração. É muito usada para descrever algo abundante, belo ou impressionante.

Curtas e variadas














 

Clara Ferreira Alves opina

 

A falência do estado nas mãos de Trump é um espetáculo agradável para um libertário como Peter Thiel


O homem chegou a Roma e decidiu dar umas conferências sobre a figura bíblica do Anticristo o mais perto possível do Vaticano. No Palazzo Taverna. A conferência foi concorrida, como são todas. Houve mais em variadas capitais americanas e europeias. Os bispos do Vaticano, atentos a disruptores, argumentaram contra num artigo na revista “Avvenire”. A teoria do Anticristo enunciada pelo homem não passaria de uma visão totalitária destinada a substituir a democracia por uma “superplutocracia” comandada por gente como aquele homem. Ou a teoria do dinheiro, muito dinheiro, como guia espiritual da Humanidade destruindo a inteligência coletiva e o altruísmo e substituindo-os pelo progresso tecnológico sem freio e o individualismo com a competição como único motor. Uma teoria do medo. E da conspiração.

A seguir a estas conferências, onde continua a espalhar o seu evangelho, o homem decidiu trocar os Estados Unidos, a Florida, por novo poiso mais consentâneo com os desejos libertários e antirreguladores. Se quiserem, antiestado. Qualquer Estado. Mudou-se com armas e bagagens para Buenos Aires. Onde foi recebido de braços abertos por Javier Milei. O homem declarou que o estilo de vida argentino era mais fluido e mais alegre do que a vida nos guetos bilionários de Miami. Um projeto anterior, o da mudança para um extenso e verdejante complexo na Nova Zelândia, tinha sido abandonado, mantida a propriedade para o caso de a Humanidade se extinguir. É longe. Falam inglês.

Na Argentina, a comunhão com a natureza também é possível, a Patagónia, a Antártida ali tão perto, mas a comunhão com Milei é a que importa. Passado pouco tempo, Milei escreveu um artigo no “Financial Times” convidando todos os plutocratas e inventores tecnológicos, todos os crentes nos poderes infinitos da IA sem qualquer regulação ou entrave, ou dúvida, a mudarem-se para a Argentina. Onde seriam recebidos de braços abertos e isentos de impostos punitivos ou qualquer princípio de regra emanada do Estado. O convite ainda não teve muita aceitação, os convidados preferiram ficar na América. A teoria do Anticristo não parece ser levada a sério em Silicon Valley. E em Shenzhen, o Silicon Valley da China, ainda menos. Libertários têm fins tristes na China.

***

Com mais variações e muitas citações, o homem é culto, inteligente e lido, é isto. É um americano descendente de alemães e sabemos do passado e da nossa história como estas teorias da dominação acabam. O Ubermensch nietzschiano. Coisa e tal. A história nunca se repete como farsa, ao contrário do famoso dictum. As conferências são populares em determinados sectores, e o homem fundou, além de diversas empresas, a começar pela PayPal, um grupo seleto de discussão. Secreto e tipo Illuminati, ou tipo romance de Dan Brown, chamado Dialog. No Dialog só entra quem o homem quer e, pasme-se, foi fundado há 20 anos e só agora desvendado graças a uma fuga de informação e a uma hacktivista suíça. No Dialog entra-se por convite e o convite só contempla elites mundiais. Dos negócios, da política, da academia, do entretenimento e das artes.

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Conclusão


 

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22 de junho de 2026

Memória


 

Curtas e variadas










 

Um livro, dois poemas


 El payaso


Sonrío con el labio del payaso
que se sabe médico-profeta,
instructor de jarabes poéticos,
pomada para adultos tristes y niños,
balada literaria bajo mi estrella.
Mi electricidad está a tus dedos unida
como cables de wifi conectados;
señales que, como barcos,
navegan el aire
y son origami celeste
sobre fondo de luz.
El poeta es el pianista, la melodía y el piano,
el capitán, las olas y el navío;
corchea
que introduce el pie en el lago
es su esencia.
No es cuidador de rebaños el poeta, Pessoa,
es más bien domador de murciélagos,
de toros yanquis
(paz, sin ti, son tan salvajes,
a veces, los pensamientos…),
águila que porta en el bolsillo mensajes,
antorcha de mi espíritu.
Cuando compongo, como Mozart,
soy músico, pero también soy albañil-poeta
y defiendo a obreros y a empresarios.
Me convierto, al fijarlo, en el ladrillo.
Mi corazón se crea en el sudor de la pala.

La vida es un jardín.
Al bautizar los cimientos construyo
la futura casa que será el poema
(paredes fuertes, cuartos, ventanas)
y este manuscrito
por el que paseas, ahora y para mí,
sin ropa interior.
He aquí el labio del payaso,
la trompeta de amor que, allá, el cielo,
artista acróbata, en su lejanía,
con su pincel galáctico me afirma:
página frecuente de alas,
periódico de aguas llenas de peces,
tobogán humilde del sol por el que avanzo,
desciendo de color rosa
y es mi recreo.
La nieve, allá, frente a la valla,
me llama: escucho su silencio.
Lanzo
mi ballesta de paz al centro del pájaro,
a su nido exacto de poemas:
campanas eternas
hacia lo azul.

***

Pájaro padre

La voz de un pájaro padre
me recuerda que yo también soy padre
sin tener hijos
y que cada humano es un huevo
del que puede brotar una lámpara.

***
Jesus Torres Beato

Ter saudades


 

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