14 de agosto de 2026
Tristes infâncias
Filho manteve corpo por 21 horas no apartamento, onde estava a irmã de 4 anos: "Contexto relacionado com eventuais maus-tratos físicos e psicológicos", informou a Polícia Judiciária
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Não tem nada a ver com a nacionalidade; já aconteceram casos parecidos com portugueses.
Henrique Monteiro
O nosso Presidente (que parte do país acha que desapareceu só porque não faz um comício por cada decisão que toma) faz questão de sublinhar a necessidade de combater a imigração ilegal e defender as fronteiras; mas defende que esse tipo de reformas desejáveis devem ser feitas com segurança jurídica e respeitando a Constituição da República e os instrumentos internacionais vigentes. Que mais se pode dizer? Seguro enviou a Lei do Asilo e Retorno, proposta pelo Governo, para o Tribunal Constitucional, de onde espera venha a conjugação que pede, entre as regras de admissão de imigrantes e os preceitos constitucionais e as leis vigentes, que decorrem de uma moral absolutamente partilhada, como não separar filhos de pais, ou não permitir que alguém, na prática, esteja detido um ano, ou ainda que menores sejam expulsos sem cuidar do que lhes acontece. O porto de abrigo não é para piratas, é para quem, com boas intenções dele necessita.
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VENHAM A NÓS
"Dai-me os vossos cansados, os vossos pobres, as vossas massas encurvadas que anseiam por respirar em liberdade". Estes versos de um soneto da poeta de origem judia Emma Lazarus, escrito em 1883, e hoje inscrito no pedestal da Estátua da Liberdade, no porto de Nova Iorque, inaugurada há 140 anos (28 de outubro de 1886). O poema serviu para angariar fundos para o pedestal que serve de base à 'Liberdade iluminando o mundo', que foi o um 'presente do povo francês'. O que se passou de então para cá? Não olhemos apenas para Trump e o MAGA. Olhemos para cada um de nós. Onde havia ousadia, há medo; onde havia solidariedade, há competição; onde havia colaboração, há rivalidade. Claro que todo aquele pensamento de Emma Lazarus era bastante utópico, mas na realidade poderemos ser mais do que somos. E Portugal, que por força da latitude, está defronte à estátua, só tem a ganhar em ser acolhedor, desde que existam regras claras contra máfias e redes de tráfico. A começar pelas redes e máfias que andam entre nós. A ideia é ser implacavelmente justo. Seremos capazes? Eu penso que o Presidente Seguro dá uma ajuda nesta direção, apesar das crises de nervos que provoca em Ventura.
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Sérgio Sousa Pinto opina
Desde a Mesopotâmia e das primeiras urbes que não é preciso explicar a ninguém o que é uma cidade. Tanto um nova-iorquino de hoje como um hitita de 1500 antes de Cristo reconheceriam uma cidade, se plantados diante de uma.
Mudando de assunto. A ideia de progresso é muito recente. Antes dela achava-se que se avançava e recuava, de acordo com a sorte, o azar e o favor dos deuses. Salvar com fogueiras e pancada um herege do inferno e convertê-lo à verdadeira fé era, certamente, percebido como uma embrionária manifestação daquilo a que hoje chamamos progresso. Uma política orientada para o aperfeiçoamento social, salvando almas por grosso e atacado.
O verdadeiro progresso na aceção contemporânea vem dos filósofos setecentistas e da Revolução Francesa. A Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade passaram a constituir o diapasão do progresso. Ninguém identificaria com o progresso a Rússia governada pelo supremo autocrata do universo, o czar de todas as Rússias, no desvanecido dizer de Joseph de Maistre, o mais obstinado detrator do progresso que a Criação produziu.
Os americanos, sempre dados ao exagero, decretaram o direito natural dos Homens à felicidade, ou pelo menos a fazerem por isso. Outro progresso de monta. Hoje, até parece mal não ser feliz. Através do Instagram todos expomos a nossa exitosa conformidade social, fazendo propaganda à felicidade obrigatória, com uma alacridade que teria indisposto Marco Aurélio, o estoico persuadido que tínhamos nascido para servir e contemplar.
A tragédia irremediável da vida, a luta organizada e a evolução tecnológica trouxeram, nos últimos 50 anos, juntamente com revoluções cruentas e hábitos higiénicos, provas irrefutáveis da possibilidade de um progresso verdadeiro e bom. É possível uma existência mais digna e é possível minorar o sofrimento humano suscetível de ser minorado.
Infelizmente calhou-nos conviver historicamente com desconcertantes e novas formas de estupidez, difíceis de combater porque se apresentam empapadas em suposto “progresso”. E o progresso é bom. Denunciar o progresso nas suas equivocadas encarnações, ou seja, o falso progresso, é equivalente a advogar o mal, a alegar que o mal tem aspetos positivos. Ora o mal combate-se, não se negoceia.
É aqui que voltamos aos hititas e aos que ergueram todas as civilizações conhecidas da História. A civitas é a cidade, é a civilização. Colaboração, convivialidade, cultura, especialização, prosperidade, confusão humana, esterco de cavalo, o antepassado do CO2.
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