9 de junho de 2026

Complexidade - Clara Ferreira Alves

 


Tenho tempo, pensei. Mas, como estamos em Portugal e nada funciona a 100%, ou mesmo a 50%, e como tudo exige esforço triplicado porque há sempre um obstáculo, uma coisinha que falta, um nadinha que impede a execução da tarefa, é melhor iniciar o processo. Antes das expirações.

A saga começou.

Entrados no túnel da Administração Pública, chega-se muitas vezes ao cruzamento da impotência com a incompetência. Ele há, como dizia o conselheiro Gama Torres do Eça, um asno magnífico, “questões terríveis”.

Comecei por ver no Google como renovar o passaporte, para o caso de alguma coisa ter mudado na Administração, dita Pública. A app SIGA dá-nos a hipótese de marcação num local de atendimento à nossa escolha, da nossa conveniência, com a data também em opção múltipla. Escolhemos a Boa-Hora. E a primeira data disponível é só a 30 de junho. Estávamos em maio. Marcado o atendimento, havia que esperar. Por mail, chegou a confirmação, tudo bem, os serviços funcionavam.

Uns dias depois, novo mail, a marcação tinha sido cancelada, sem mais. Nem atendimento, nem passaporte renovado. Nem alternativa. Siga a SIGA.

A saga continuou. Lá fomos de novo à app, esse sinal de progresso, tão funcional, tão ao alcance digital, tão, digamos, moderna ou mesmo contemporânea. Várias opções, a nossa é o IRN Registo, certo, e a opção Passaporte — pedido. Seguidos os trâmites, surge a mensagem a dizer que não há datas disponíveis para a marcação. Tirar senha para o próprio dia também apresenta dificuldades, continua a indisponibilidade. Durante mais de uma semana, esta a situação. Não há datas. Certamente num glitch cibernético, num dia aparece a senha de atendimento disponível na Boa-Hora, se formos a voar até lá. Um minuto. Não dá tempo, nem o Flash. Nem o Super-Homem. No segundo seguinte, dissipa-se a possibilidade e regressa a indisponibilidade.

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Isto é Portugal. Nada acaba aqui desde os Templários.

No EXPRESSO 👈👈

Como os alcatruzes da nora



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Os alcatruzes são os recipientes ou baldes (tradicionalmente de barro) fixados à roda de uma nora. À medida que a roda gira, eles descem vazios ao poço, enchem-se de água e sobem para a vazar num canal ou depósito à superfície.

Wikipédia

Quando uns sobem, outros descem ...

 

Transumância


 Todos os anos, o gado das aldeias do Gerês sobe à serra para pastar. O pastoreio é comunitário: feito pelas gentes da terra, que dormem à vez na montanha. Daí ser conhecido por “vezeira”. É assim até ao final do verão. A tradição de transumância tem a chancela de património cultural imaterial e cativa cada vez mais jovens.

Via de extinção

Assustador 👈👈 😱





Um poeta curdo

 Artigo completo AQUI  👈👈


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"Continuava a pensar na avó de Saramago, que escreveu nas suas Pequenas Memórias: 'O mundo é tão bonito que me entristece pensar que tenho de morrer."

Não surpreende, por isso, que uma das suas peças se intitule Vida, Amo-te Muito.

No seu poema Coisas Que Não Estão Aqui, enumera tudo aquilo que falta na vida prisional:

"Não há flores, nem rios, nem pão acabado de cozer, nem mulheres, nem a mudança das estações, nem eclipses da Lua."

Mas, como afirma o poema, existe "sempre uma saída".

A sua "saída" foi a literatura e a imaginação.

"No sentido de preencher a palavra 'vida' com significado, vivi muito pouco. Por essa razão, refugiei-me na minha imaginação e passei a multiplicar as memórias através da ficcionalização; encontrei apoio na criatividade”, escreve na sua autobiografia Não Destruir o Formigueiro.

Os regulamentos da prisão permitiam-lhe ter apenas sete livros de cada vez. Foi assim que descobriu o Livro do Desassossego de Pessoa.

“Havia qualquer coisa na sua melancolia; a sua obra estimulava a imaginação.”

“Parecia, então, que, tal como Pessoa fizera, era possível resistir à opressão refugiando-se na literatura e na arte e, desse modo, viver novas vidas.”

Depois veio Saramago.

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Variadas e curtas














 

Opiniões

 No Observador 





Visualização do blogue






Este blogue está a chegar a lugares que eu nunca imaginei que pudesse ...
E a um número de visualizações que também é surpresa. Muitas serão de bots.
 
E a estranheza é porque "isto" é pouco mais que uma caixa com recortes de jornais. 


Émile Zola terá dito

 


Sobre a verdade: "Se vocês calarem a verdade e a enterrarem, ela crescerá, acumulará uma força tal que, no dia em que explodir, varrerá tudo consigo."


Sobre o propósito: "Se me perguntarem o  que vim fazer neste mundo, eu, como artista, lhes responderei: vim para viver em voz alta."


Sobre o trabalho: "O artista não é nada sem o dom, mas o dom não é nada sem o trabalho."


Sobre a paixão: "Preferiria morrer de paixão a morrer de tédio." 

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Também disse/escreveu:

J'accuse

Nas capas






 

8 de junho de 2026

A poesia é alquimia

Marianela Medrano é uma prestigiada escritora, poeta afro-taína e psicoterapeuta dominicana. O seu trabalho foca-se na ligação profunda entre a expressão literária, a herança cultural indígena e os processos de cura psicológica.

Em podcast


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Um líder que está muito tempo em funções vai perdendo o sentido crítico dentro da equipa. E quando somos demasiado iguais, a probabilidade de irmos mais depressa contra uma parede é enorme", afirma.

Na visão de Carlos Moreira da Silva, um dos maiores perigos para qualquer organização é o poder instalado: "É preciso desfazer o poder instalado porque ainda que ele seja consequência do líder, por vezes é pior do que o próprio líder" em termos de impacto, aponta.

Mais das curtas









 

Outras guloseimas

Estas também são boas. 😊


 

Um livro, um poema


 

Volverán a dibujarse las estelas

en el azul del tiempo.


Volverá la espuma a dividir el horizonte

entre lo que se quedó por vivir

y lo vivido

entre la caricia del sueño

y el abrazo del agua:

el mar

(estrecho

para las manos amigas

y prohibido

para los que no pueden rozarlo con los labios).


Volverá el viento que nos mece

y nos arrastra


la luna

en cuarto menguante y retadora


los dragones alados


el foso navegable

que nos protege de miedos antiguos


la frontera

donde nos golpeó la visión de la miseria


el laberinto

donde nunca nos perdimos

con su olor a especias

y a sherezades

que no vivieron las mil y una noches.


Volverán

yo sé que volverán


la memoria será generosa

como siempre

y guardará el perfume

de todos los frascos derramados.


INMA CHACÓN

Serviço ao mundo


 

de "haute" à "critique"

 


publié le 08/06/2026 à 06:23

C'est une affaire digne d'un roman d'espionnage. Les États-Unis et Israël, alliés historiques et engagés côte à côte dans la guerre contre l'Iran, s'affrontent à bas bruit sur le champ de bataille des renseignements. De l'autre côté de l'Atlantique, NBC News et le New York Times ont révélé dimanche 7 juin que l'agence de renseignement de la Défense (une des nombreuses agences de renseignement aux États-Unis, rattachée au Pentagone) a relevé la menace que représente le contre-espionnage israélien au niveau le plus élevé. Elle est passée de "haute" à "critique". Troublant s'agissant d'un pays ami.

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É caso para dizer:

Tão amigos que eles são!

Ou

Amigos, amigos, interesses à parte.

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O ditado "amigos, amigos, negócios à parte" reflete o cuidado necessário para não misturar relações pessoais com transações comerciais


Curtas e variadas