Foram da aldeia pobre tutelada por um regime fascista para a cidade democrática, nos anos 1960/70. As "trabalhadoras-convidadas" da RFA construíram a sua vida nas urbes alemãs, onde escolheram ficar.
Sofia Craveiro
As Gastarbeiterinnen portuguesas da Alemanha não querem voltar
A Alemanha do pós-Segunda Guerra Mundial tinha escassez de mão-de-obra para se reconstruir e concretizar o “milagre económico”. Eram precisos trabalhadores para a construção civil, as fábricas, comércio e serviços. A divisão materializada pelo Muro de Berlim dificultava o recrutamento doméstico. Foram então estabelecidos acordos bilaterais com vários países, para facilitar a “importação” legal de trabalhadores temporários. Ficariam conhecidos como Gastarbeiter (trabalhadores convidados) e tinham diversas origens. O primeiro acordo foi assinado com a Itália, em 1955. Seguiram-se Grécia e Espanha, em 1960, depois Turquia, em 1961. Marrocos assinou em 1963, Portugal em 1964, Tunísia em 1965 e a antiga Jugoslávia em 1968. No total, entre 1955 e 1973, 14 milhões de migrantes foram recrutados para trabalhar na RFA no âmbito destes acordos. Destes, cerca de 11 milhões regressaram aos seus países de origem, conforme descrito no livro We Are All Migrants — A History of Multicultural Germany, de Jan Plamper (2023, Cambridge University Press). Os relatos de mulheres descritos nesta reportagem fazem parte dos restantes 3 milhões.
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