No Expresso
Para mim, é talvez a fotografia do ano, da autoria de David ‘Dee’ Delgado, da agência Reuters. Apesar de todas as trágicas fotografias que fomos vendo em Gaza ao longo do ano, apesar do Sudão, apesar da Ucrânia ou do Iémen, esta imagem suplanta todas as outras como testemunho dos tempos que vivemos e da degradação da condição humana a que descemos. É uma fotografia de um imigrante nos Estados Unidos caçado, é o termo, por três energúmenos do ICE, a agência de caça aos imigrantes que é o orgulho de Trump. Os três algozes estão encapuzados e de chapéu de beisebol, vestidos à civil para melhor se poderem aproximar das suas presas sem se fazerem notar. Ele aparenta ter uns 30/40 anos e ser hispânico: está agachado, agarrado pelos braços e pernas, e a sua expressão é de completo desespero, enquanto segura na mão direita uma carteira de documentos — que, aparentemente, de nada lhe serviram. Não sei o resto da história, mas no olhar angustiado do imigrante adivinhamos, tal como ele, que o espera a prisão e a deportação — talvez para as prisões desumanas de El Salvador, talvez apenas recambiado para a sua terra de origem, mas seguramente enxotado para longe do sonho americano que um dia o levou a investir todas as suas poupanças e todas as suas esperanças numa vida decente nesse país construído por imigrantes chamado Estados Unidos da América.
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