19 de maio de 2026

Clara Ferreira Alves opina

 


Cinema. Era um deslumbramento. Lembro-me de viajar para Paris e enfiar-me num daqueles cinemas minúsculos da Rive Gauche e passar o dia a ver clássicos, ou ciclos de filmes que não passavam nos cinemas comerciais. Junto com as Cinematecas, e a Cinemateca de Lisboa do João Bénard da Costa era o mais perto da perfeição que existe, os cinemas da margem esquerda ofereciam uma educação estética, e por vezes filosófica. Clássicos do grande cinema europeu, italiano, francês, alemão, nórdico (sueco, Bergman) e clássicos do grande cinema russo. A Europa, antes de ser uma união comercial e agora pseudomilitar, começou por ser uma união cultural. No princípio, a CEE e o mercado comum apostavam numa visão cultural europeia, uma identidade cultural europeia comum com base na diversidade e riqueza dos países. Muito dinheiro foi investido nesta ideia, que juntava durante um ano gente dos países europeus para participarem na discussão de ideias.

A dominação cultural americana já existia, sobretudo no entretenimento, mas a Europa enquanto projeto cultural comum tinha identidade e força intelectual. Entretanto extinta. A Europa da União Europeia é um triste conjunto de burocracia e liderança pela inoperância, camuflada pela liberdade de expressão.


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