Na revista Visão (texto completo) <○<○<
O canto do cisne desse ideário de cruzada é a importante, e infeliz, Batalha de Alcácer-Quibir. Nessa refrega, sobre a qual muitos investigadores já se pronunciaram, mostrando as fragilidades da preparação, começando pela data, o dia 4 de agosto, o jovem monarca D. Sebastião desapareceu, tendo o seu corpo sido achado dias depois e sepultado em Ceuta. Entregue pelo sultão Mulei Ahmed, os restos mortais do rei português foram depositados na Catedral da Santíssima Trindade dessa que era a mais antiga praça-forte portuguesa em África, no dia 10 de dezembro de 1578. Quatro anos depois, já sob a dinastia Filipina, em 1582, o corpo seria trasladado para Portugal, estando desde essa data no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.
Todo o processo em torno da descoberta do corpo, exponenciado pelo sentimento de perda, transformou o jovem monarca num dos símbolos mais fortes de Portugal, central na ideia messiânica que nunca mais abandonaria a cultura nacional. Abandonar-se-iam as fortalezas no norte de África, dando termo a um ideário de guerra que já estava fora de época, mas a morte desse jovem rei seria cada vez mais forte no sentimento de irrealização, de possibilidade gorada, desejo de ter sido diferente.
Para sempre Ceuta ficou com um lugar no imaginário nacional, destino turístico ou de negócios, tal como para a cidade, o antigo senhor se manteve presente nos símbolos heráldicos.
☆☆☆☆☆☆☆☆☆
Actualizado




Sem comentários:
Enviar um comentário