7 de agosto de 2026

Henrique Monteiro opina


A base da nossa civilização anda perdida, e não será um filme que a fará recuperar. O que se passou em Ceuta mostra que perdemos muito do que está nas fundações da nossa mundividência e, por isso, é bom voltar aos Clássicos.


Mais de 60 mil pessoas atravessaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta em menos de 24 horas — a nado, a pé, contornando o quebra-mar de Tarajal. Cerca de 80 morreram. Outros, decerto, desapareceram nas correntes do estreito e nunca serão contados. É, dizem as autoridades, uma das maiores crises fronteiriças na história recente da Europa.


A resposta política chegou depressa. Pedro Sánchez falou em “violação da integridade territorial de Espanha”. Giorgia Meloni sugeriu suspender Espanha do espaço Schengen (Ceuta não faz parte). A Finlândia aplaudiu a proposta. Itália e Espanha trocaram protestos diplomáticos. Militares foram mobilizados.


Compreende-se o choque. Ninguém está preparado para absorver, em horas, uma multidão assim. O caos, os confrontos, os autocarros incendiados, a exaustão da Guarda Civil — tudo isso é real e tem de ser gerido com seriedade. Mas é diferente gerir uma crise com seriedade e geri-la sem humanismo. E é esta a tentação — ver cada episódio como abstração; os números e a política de ‘chico-espertismo’ substituem os rostos reais de desespero. 

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No Expresso <○<○<

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