3 de julho de 2010

Contentamento descontente



Porque sempre vamos querer mais, cada contentamento é descontente.
Porque olhando à nossa volta, muitas vezes nos sentimos uns privilegiados, fazemos as férias possíveis, absorvemos tudo de bom ou de belo que não tem custos e cuidamos das flores no nosso modesto jardim. Pelo nosso lado, o mar por perto também é indispensável.
Faz-se por que cada breve momento seja de serenidade e paz, polvilhado de um pouco de alegria.

29 de junho de 2010

Impossível é nada


Não é um anúncio da adidas.
É apenas a constatação de um entusiasmo que varre o País, de uma esperança que teima em crescer. Valha-nos isso: ainda há algo, neste nosso Portugal, que anima, entusiasma, move multidões - o futebol.
Cá me estou a lembrar da velha pilhéria dos 3 F's...

11 de junho de 2010

Antes do conselho














Fazer férias portuguesas já era a minha decisão, bem antes do Presidente da República as recomendar.

4 de junho de 2010

Contudo





Tenho tido problemas de saúde.
Contudo, sou a felizarda que se meteu num avião e foi passar oito dias a uma ilha singela e bonita, onde o espírito descansa e os olhos se encantam.

23 de abril de 2010

Na margem outra vez



Depois de tanto tempo ausente daqui, volto a esta minha margem.
E à margem do Tejo. Onde estive há pouco e está escrito:
O rio da minha aldeia
não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele
só está ao pé dele.
A minha aldeia é Lisboa e vou muito para a margem do rio. Estou ao pé dele, encanta-me, mas deixa-me pensar em muitas coisas. Observo, penso.
Deu-me hoje para pensar em como ficamos velhos. E cheguei a algumas conclusões breves, não exaustivas de como e quando ficamos velhos:
  • quando atar os sapatos, cortar as unhas dos pés, mudar uma lâmpada começam a ser tarefas difíceis,
  • quando as nossas preocupações são as lides domésticas, as consultas e os exames médicos, a conta da farmácia e o poupar tostões para que o dinheiro chegue ao fim do mês,
  • quando temos o guarda-roupa cheio e nos arranjamos para sair, temos sempre um ar démodé, um cheiro a naftalina e a passado,
  • quando tiramos o passe social da 3ª idade e perdemos horas nas paragens dos transportes ou as queimamos sem destino e sem objectivo,
  • quando fazemos balanços à vida e sentimos sempre que ela nos foi madrasta e se esvaiu em três tempos,
  • quando falamos com estranhos sempre que possível porque os laços íntimos e próximos se nos foram quebrando e sentimos ainda - e sempre - a necessidade de atenção, pertença e estima,
  • quando olhamos as fotografias que estão nas molduras e elas a fitar-nos amarelecidas, cobertas por uma ténue cortina de tempo passado,
  • quando, de repente, começa a bater-nos no pensamento, como uma obsessão inelutável, o poema "a vida é ai que mal soa",

Aí sabemos, de um saber profundo, como é triste ser velho - em qualquer lado. Mais ainda, talvez, na cidade grande...

28 de dezembro de 2009

Almoçar com os pardais

Agora que passou o Natal, esses dias de estar muito à mesa, em família, e até que venha o ano novo, voltamos às nossas rotinas. Nas minhas rotinas, daquelas que nos aborrecem mas nos vão guiando sem termos de meditar muito para decidir, inclue-se o almoçar num de dois ou três restaurantes cuja comida é satisfatória, não são muito caros e ficam na minha área de circulação habitual. Um deles fica à beira do rio, tem uma sala interior e umas mesas exteriores, numa varanda, onde se espanejam pardais. Os malandrecos já aprenderam a explorar os restos de comida sob e sobre as mesas, sabem perfeitamente o caminho para o interior e, se uma pessoa estiver só, numa mesa de seis lugares - no interior são de seis lugares - eles pousam no canto mais afastado da pessoa a espreitar para o prato. Ora como com companhia, ora sem e, nos dias em que não estou com companhia costumo deitar algo, como uns baguitos de arroz sobre o tampo da mesa. Eles já me conhecem(?), ou conhecem o aspecto do petisco - ainda hoje tive três pardais a partilhar comigo os filetes de pescada com arroz de cenoura. Os empregados da casa nunca fizeram reparo. Gente educada, é o que é.

10 de dezembro de 2009

A ligação à terra



Há muitos anos que não semeio. Mas ainda planto, rego e colho.
São tarefas que me enchem de uma enorme paz. Há duas ocasiões que são particularmente sentidas como laço de apego à terra: a vindima e a apanha da azeitona. Nem o corpo cansado apaga a alegria de colher, a sensação de harmonia com a natureza e a gratidão pelo tanto que nos dá.

15 de outubro de 2009

Geo grafias







































Estes são novos lugares por onde semeei os meus passos, onde conheci outras gentes e modos de ser/estar.
Continuo a concluir que há sempre mais a unir do que a dividir as pessoas.

2 de julho de 2009






Tantas faces tem a paz de espírito.