29 de agosto de 2024

Frutas - reabastecimento





















Depois das uvas e ameixas, agora são estas. 💚

Leitores do blogue

 

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A leitura do momento

 Aos clássicos volta-se sempre.



Sem filtro

SFF (se faz favor) dêem-nos as entrevistas sem filtro. Pessoalmente, aprecio ver/ouvir o todo, sem edição, sem retoques...



Tu risa (poesia- Neruda)

 TU RISA



Quítame el pan, si quieres, 

quítame el aire, 

pero no me quites tu risa.


No me quites la rosa, 

la lanza que desgranas, 

el agua que de pronto estalla en tu alegría, 

la repentina ola de plata que te nace.


Mi lucha es dura y vuelvo con los ojos cansados

a veces de haber visto la tierra que no cambia,

pero al entrar tu risa sube al cielo 

buscándome y abre para mí todas las puertas de la vida.


Amor mío, en la hora más oscura 

desgrana tu risa, y si de pronto ves 

que mi sangre mancha las piedras de la calle,

ríe, por que tu risa será para mis manos como una espada fresca.

***

Liberdade (F. Pessoa)

 


Ai que prazer 
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler 
E não o fazer!

Ler é maçada, 
Estudar é nada. 
O sol doira 
Sem literatura. 
O rio corre, bem ou mal, 
Sem edição original. 
E a brisa, essa, 
De tão naturalmente matinal, 
Como tem tempo não tem pressa...


Livros são papéis pintados com tinta. 
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma, 
Esperar por D. Sebastião, 
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças... 
Mas o melhor do mundo são as crianças, 
Flores, música, o luar, e o sol, que peca 
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto 
É Jesus Cristo, 
Que não sabia nada de finanças 
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa 
Poesia do Eu.

Opiniões

 No Observador 

Fotografia do Colunista
João Marques de Almeida

Ventura é o João Félix da política

Há sempre um momento em 

que não basta ter talento, 

é necessário saber usar esse 

talento de uma forma 

construtiva para alcançar 

vitórias políticas.

Fotografia do Colunista
Alexandre Borges

Fora de tempo

É o mesmo comportamento 

que observamos no 

supermercado, no elevador, 

na sala de espera do hospital, 

em todo o lado. Uma lenta 

decadência da ideia da 

importância do civismo.

Fotografia do Colunista
Bruno Bobone

Não há pessoas que menstruam, há mulheres

Somos homens e mulheres os 

que somos homens e mulheres, 

são transexuais os que o são,

 e são de determinada raça

 os que são de cada raça.

Fotografia do Colunista
João Paulo Oliveira e Costa

Lusitanos há 900 anos

O epitáfio na primeira sepul-

tura de D. Afonso Henriques

referia-o como “viriatos 

christianus” e “primus

 Hercules lusitanus”.

28 de agosto de 2024

A esperança

 


A esperança é o sonho do homem acordado.


É preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela dançante.

Friedrich Nietzsche 


A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero.

Victor Hugo 


É horrível assistir à agonia de uma esperança.

Simone de Beauvoir






Jogos Paralímpicos Paris 2024

A assistir à cerimónia de abertura dos Jogos Paralímpicos Paris 2024.

Decorre o desfile dos atletas das várias Nações entre Campos Elísios e Praça da Concórdia. 



Muda, sim

 


Grito do Ipiranga

Oficialmente, a data comemorada para independência do Brasil é de 7 de setembro de 1822, ocasião em que ocorreu o evento conhecido como o Grito do Ipiranga, às margens do riacho Ipiranga na cidade de São Paulo. Em 12 de outubro de 1822, o príncipe foi aclamado D. Pedro I, Imperador do Brasil, sendo coroado e consagrado em 1º de dezembro de 1822, e o país passou a ser conhecido como o Império do Brasil.

Wikipédia

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Pedro Américo (o pintor) quis fazer do momento histórico de 1822 uma cena gloriosa e solene para Dom Pedro I. E, claramente, buscou inspiração no quadro do pintor francês Jean Louis Ernest Meissonier, que retratava Napoleão Bonaparte na Batalha de Friedland de 1807. A obra francesa foi pintada em 1875; a do brasileiro, foi apresentada na Academia Real de Belas Artes de Florença, na Itália, 13 anos depois. 

Há várias licenças poéticas na obra, inclusive o fato de substituir as mulas por cavalos de raça. Os guardas não estavam usando uma farda tão pomposa. Os Dragões da Independência só adotaram o uniforme da pintura mais de 100 anos depois.


Fonte 👈👈👈

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Continua a usar-se a expressão "dar o grito de Ipiranga" para o caso de alguém que se liberta de uma situação que lhe é inaceitável. 




 

Desfocado (Pedro Mexia/ opinião)



*** 

no filme de Woody Allen (“As Faces de Harry”, 1997) - com Robin Williams 

***

O décimo aniversário da morte de Robin Williams e outros assuntos graves fizeram do homem desfocado uma das minhas companhias de Verão. Reconheço-me nele, sou em grande medida como ele. Não é tanto um lamento, é um facto. Introspectivo, pacífico, tímido, melancólico, educado sem ser simpático, pouco gregário, pouco falador, esquivo, não tenho nitidez. Nas mais variadas ocasiões (algumas divertidas), as pessoas esquecem-se de mim, não estão bem a ver quem sou, têm uma ideia vaga, não gostam nem desgostam, conhecemo-nos mas é como se nunca nos tivéssemos conhecido, evoco episódios que não recordam, converso sobre casos que vivemos juntos sem despertar qualquer reacção, amigos esclarecem que somos apenas conhecidos, namoradas lembram-se de mim como um vizinho que encontram no elevador ao fim-de-semana, primos em primeiro grau tratam-me como primo em oitavo, vizinhos não respondem ao cumprimento, lojistas não me atendem porque não deram por mim, e uma vez num café, é certo que em Paris, levantei umas vinte vezes o braço e saí sem ser atendido.

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Também devo ser dessa categoria dos "desfocados"; houve momentos na vida em que me senti invisível. 

Agora tudo é mistério



 Jorge Amado 

in Mar Morto 

Confidencial (poesia)

 


Não me perguntes, porque nada sei

Da vida,

Nem do amor,

Nem de Deus,

Nem da morte.


Vivo,

Amo,

Acredito sem crer,

E morro, antecipadamente

Ressuscitando.


O resto são palavras

Que decorei

De tanto as ouvir.

E a palavra

É o orgulho do silêncio envergonhado.


Num tempo de ponteiros, agendado,

Sem nada perguntar,

Vê, sem tempo, o que vês

Acontecer.


E na minha mudez

Aprende a adivinhar

O que de mim não possas entender.


Miguel Torga

Opiniões

 No Observador 

Fotografia do Colunista
Maria João Avillez

Crónica demasiado intimista

Dois cavalheiros frente a 

frente, Eriksson e Artur Jorge,

servindo o desporto e a 

competição. O que é outro 

modo de evocar um Portugal

esquecido onde estas pessoas

existiam e estas coisas 

aconteciam.

Fotografia do Colunista
Jorge Fernandes

O admirável mundo da ERC

O entendimento da ERC

 sobre o que deve ser o 

jornalismo permanece 

inalterado. Os jornalistas 

devem, acima de tudo, 

servir de pé de microfone, 

deixar o político brilhar, 

ainda que minta 

descaradamente.

Fotografia do Colunista
Tiago Dores

Agora à direita tudo menstrua

Num ápice, a direita portuguesa

deixou de saber o que é uma 

mulher. Ao mesmo tempo que 

apoia Kamala Harris, 

basicamente por não ser Trump

e por ser mulher. Coisa que não 

fazem ideia do que se trata.

Fotografia do Colunista
Luiz Cabral de Moncada

As dificuldades da democracia II

É preciso formar não apenas 

os eleitos, mas também os 

eleitores, mediante processos

descentralizados e locais que

lhe permitam aceder à 

participação. Uma democracia

de cidadãos, e não apenas 

votantes.

Homens & Bichos



 Viva a boa disposição. 

Toada de Portalegre (J. Régio)

 


Em Portalegre, cidade 

Do Alto Alentejo, cercada 

De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros 

Morei numa casa velha, 

Velha, grande, tosca e bela 

À qual quis como se fora 

Feita para eu morar nela...


Cheia dos maus e bons cheiros 

Das casas que têm história, 

Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória

De antigas gentes e traças, 

Cheia de sol nas vidraças 

E de escuro nos recantos, 

Cheia de medo e sossego, 

De silêncios e de espantos, 

Quis-lhe bem como se fora 

Tão feita ao gosto de outrora 

Como ao do meu aconchego.


Em Portalegre, cidade 

Do Alto Alentejo, 

cercada De montes e de oliveiras 

Do vento soão queimada, 

(Lá vem o vento soão!, 

Que enche o sono de pavores, 

Faz febre, esfarela os ossos, 

Dói nos peitos sufocados, 

E atira aos desesperados 

A corda com que se enforcam

***

*** 

Vento soão!, obrigado 

Pela doce companhia 

Que em teu hálito empestado, 

Sem eu sonhar, me chegava! 

E a cada raminho novo 

Que a tenra acácia deitava, 

Será loucura!..., mas era 

Uma alegria 

Na longa e negra apatia 

Daquela miséria extrema 

Em que eu vivia, 

E vivera, 

Como se fizera um poema, 

Ou se um filho me nascera.


José Régio

27 de agosto de 2024

Coisa de pássaro


O joão-de-barro ou forneiro (Furnarius rufus) também chamado uiracuiar e uiracuité (de origem tupi-guarani Gwirá, "pássaro" e Ku'ya, "cuia/abrigo") é uma ave Passeriforme da família Furnariidae. É conhecido por seu característico ninho de barro em forma de forno (característica compartilhada com muitas espécies dessa família). É a ave símbolo da Argentina, onde é chamado de hornero e tido como "Ave de la Patria", desde 1928.


Wikipédia 

Jantar da saúde

 👇😝👍

Gente com vícios














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Etc., etc., etc...

Tolero e aceito quem fuma e bebe café ou chá como vício diário. 

Sem vício nenhum, deve ser uma sensaboria.