3 de agosto de 2024

O blogue - leitores

 

          Por aqui. 👆👆👆

Capas de revistas

 















As que leio mais regularmente.
📚

Portugal, lugares

 

























VILA REAL  👆👆👆

O sítio habitual



















As usual.

Comme d'habitude.

Poema da malta das naus



***

Dormi no dorso das vagas, 

pasmei na orla das praias, 

arreneguei, roguei pragas, 

mordi peloiros e zagaias.


Chamusquei o pêlo hirsuto, 

tive o corpo em chagas vivas, 

estalaram-me a gengivas, 

apodreci de escorbuto.


Com a mão esquerda benzi-me, 

com a direita esganei.

Mil vezes no chão, bati-me, 

outras mil me levantei.


Meu riso de dentes podres 

ecoou nas sete partidas. 

Fundei cidades e vidas, 

rompi as arcas e os odres.


Tremi no escuro da selva, 

alambique de suores. 

Estendi na areia e na relva 

mulheres de todas as cores.


Moldei as chaves do mundo 

a que outros chamaram seu, 

mas quem mergulhou no fundo 

do sonho, esse, fui eu.


O meu sabor é diferente. 

Provo-me e saibo-me a sal. 

Não se nasce impunemente 

nas praias de Portugal."


António Gedeão 

Opiniões

 No Observador 

Fotografia do Colunista
Alberto Gonçalves

Identidade, modo de usar

As regras do abominável mundo novo

 são decretadas e aplicadas por doidos

 à solta, e não, conforme acontecia até

 há uma ou duas décadas, pela biologia,

 pela física, pela lógica.

Fotografia do Colunista
Jaime Nogueira Pinto

Da maldição do petróleo à bênção do socialismo

Da “maldição” do petróleo – a 

Venezuela tem as maiores reservas 

do mundo – à “bênção” do socialismo

 bolivariano, a Venezuela e o seu povo

 não param de sofrer.

Fotografia do Colunista
P. Gonçalo Portocarrero de Almada

Ainda os Jogos (pouco) Olímpicos de Paris

A organização das Olimpíadas 

de Paris sabia que se tratava da

Última Ceia pois, caso contrário, 

a ‘organização’ não sabia o que

 organizou, o que é absurdo.

Fotografia do Colunista
Paulo Ramos

Breve farmacopeia da liberdade

A liberdade é um caminho a 

percorrer e é por isso que sempre

 foi assustadora. Todos queremos

 ser livres de qualquer coisa, mas

 no momento em que nos tornamos

 livres, temos de escolher “qualquer

 coisa”.

Boiavam as palavras

 


"Os pescadores dormiam cansados, ao sol, nos barcos.

As filhinhas dos pescadores brincavam na praça, de mãos dadas.

As filhinhas dos pescadores cantavam cantigas de sol e de água.

Os pescadores sonhavam com seus barcos carregados.

Os pescadores dormiam cansados de seu trabalho.

As filhinhas dos pescadores falavam de beijos e abraços.

Em sonho, os pescadores sorriam.

As meninas cantavam tão alto,

que até no sonho dos pescadores 

boiavam as suas palavras."


Cecília Meireles



Saramago

 







Intimidade (poesia)

 








"No coração da mina mais secreta, 

No interior do fruto mais distante, 

Na vibração da nota mais discreta, 

No búzio mais convolto e ressoante,


Na camada mais densa da pintura, 

Na veia que no corpo mais nos sonde, 

Na palavra que diga mais brandura, 

Na raiz que mais desce, mais esconde,


No silêncio mais fundo desta pausa, 

Em que a vida se fez perenidade, 

Procuro a tua mão, decifro a causa 

De querer e não crer, final, intimidade."


José Saramago



2 de agosto de 2024

Melhor definição de abraço

Ana Jácomo, brasileira .

"Escrever é meu jeito preferido de prece".

Lançou em 2022 pela Ed. Autografia o livro "Cheiro de flor quando ri".


Mas o melhor do abraço não é a ideia dos braços facilitarem o encontro dos corpos. O melhor do abraço é a sutileza dele. A mística dele. A poesia. O segredo de literalmente aproximar um coração do outro para conversarem no silêncio que dá descanso à palavra. O silêncio onde tudo é dito sem que nenhuma letra precise se juntar à outra. O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante.

Rios, pontes e vinhas

Tudo nos deixa maravilhados.  💖












Meu  país bonito. 🌿🌻

Água é tanto

 


Água é 

  • Vida
  • Murmúrio 
  • Caminho
  • Paisagem
  • Melodia 
  • Coloração 
  • Chamamento 
  • Contemplação 

Maria da Fonte, lendária



A Volta a Portugal (ciclismo) passou há pouco pela Póvoa de Lanhoso, terra da lendária Maria da Fonte, figura real ou imaginária da nossa História. Entrou também na nossa literatura. 



Nas fotos de cima, estátua no Minho e outra em Lisboa. 

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Terminou a etapa da Volta em Fafe, ganhou Tomás  Conte, da equipa Aviludo - Louletano. 👏👏

Outra jóia em Évora



A fundação do Paço de São Miguel remonta à época muçulmana, integrando a alcáçova de Évora, que correspondia à cerca romana e medieval. A ligação deste palácio à história de Évora foi tal que Túlio Espanca o classifica como "o edifício palaciano mais carregado de tradições" da cidade.

***

Foi depois comprado pelo lavrador Vicente Rodrigues Ruivo, e, em 1958, foi adquirido pelo Engº Eugénio de Almeida, conde de Vilalva, que reabilitou o palácio que estava muito degradado e ali estabeleceu a sede da Fundação Eugénio de Almeida.

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O interior dos edifícios é de igual valor e interesse: três salas do piso térreo estão cobertas por abóbadas pintadas a fresco pelo mestre Francisco de Campos, que assinou e datou uma delas com "F.O. de C.A.P.V.S., 1578". Trata-se de um conjunto de inspiração mitológica e ao gosto italianizante da época, com figuras avulsas e profusão de flores e frutos, pinturas de ornatos, alegorias triunfais e composições inspiradas nas Metamorfoses de Ovídeo, segundo estampas maneiristas flamengas e, num dos casos, celebrando a conquista de Túnis, em 1535, onde tomou parte o 2º conde de Basto.

Estas pinturas constituem um dos mais importantes conjuntos decorativos do país, raras não apenas pela qualidade da sua execução, mas igualmente pela grandiosidade do conjunto, pela temática profana apenas possível numa encomenda particular e visivelmente erudita, e pela sensualidade e paganismo de alguns motivos.

Novas e velhas estações





As estações do Metro de Lisboa têm boas mostras de arte.  👏
 

futuros que nunca virão

 


Então compreendi perfeitamente o que gerava a dor. Não era o corte com a ponta da faca, a topada na quina da cama, o amigo que não liga mais, o café que sujou o fogão, as palavras duras, as notícias na tv, obviamente isso soma-se ao fardo, mas não é ele em si. A dor era gerada pela sede insaciável do nada. Pois quando não se tinha o que queria sofria e quando conseguia almejava outra coisa para sofrer. E é por essa sede que os humanos consomem seus dias, pelos futuros que nunca virão ou que serão fadados quando chegarem. E a maior idiotice era perceber: eu também era um desses tais que nunca estava de barriga cheia.

Dizer tão bem !



Na vida só há um modo de ser feliz. 

Viver para os outros.

Leon Tolstói

andamos errantes (poesia)

 


Viver sem amor 

É como não ter para onde ir

 Em nenhum lugar 

Encontrar casa ou mundo


É contemplar o não-acontecer 

O lugar onde tudo já não é 

Onde tudo se transforma 

No recinto 

De onde tudo se mudou


Sem amor andamos errantes 

De nós mesmos desconhecidos


Descobrimos que nunca se tem ninguém 

Além de nós próprios 

E nem isso se tem


Ana Hatherly

in "Sem Amor"



É chanfana


Chanfana é uma das receitas mais tradicionais da Serra da Lousã. 

Segundo a lenda, terá surgido no Mosteiro de Semide como consequência dos foros pagos pelos aldeões que habitavam os terrenos do mosteiro.

Conta-se que durante o mês de agosto e até ao dia de S. Mateus, as freiras de Semide recebiam as suas “rendas” e muitos dos moradores pagavam com cabras e ovelhas. As freiras não tinham disponibilidade, nem meios para manter um rebanho grande, por isso aprenderam a cozinhar e a conservar a respetiva carne, aproveitando o vinho que também lhes era entregue pelos rendeiros, assim como o louro que tinham na sua quinta, os alhos e outros tantos ingredientes.

A carne assada no vinho mantinha-se no molho gorduroso solidificado, durante largos meses, sem estragar e a chanfana era guardada ao longo do ano nas caves frescas do mosteiro.

Uma outra versão da história diz que a receita terá sido criada pelas freiras durante a terceira invasão francesa para evitar que os soldados franceses roubassem as cabras e as ovelhas da região.  

Informação DAQUI 👈👈

[Carne de cabra, alho e vinho tinto são os ingredientes mais básicos. ]

Em 2007 Venezuela


Em 2007

Lisboa, 20 Nov (Lusa) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, elogiou hoje a comunidade portuguesa residente na Venezuela pela sua dedicação ao ramo alimentar, alegando que representam "trabalho" e "alegria", porque "barriga cheia é coração contente".

Hugo Chávez falava à chegada a São Bento, depois de ter sido recebido pelo chefe do Governo português, José Sócrates, à entrada da residência oficial do primeiro-ministro.

Nas breves declarações políticas feitas antes do jantar, Hugo Chávez falou a seguir a José Sócrates.

Logo nas suas primeiras palavras Hugo Chávez revelou o seu estilo informal, provocando risos entre os diplomatas dos dois países, ao fazer uma pergunta directa ao primeiro-ministro português:

"Quanto tempo falaste tu? Cinco minutos?", questionou o chefe de Estado venezuelano, dando assim a entender que não queria quebrar o protocolo, falando mais do que o anfitrião, o chefe do Governo português.

Além de cumprimentar José Sócrates, o presidente venezuelano deixou também uma saudação especial a "Mário" [Soares], que também esteve presente no jantar de São Bento. 

...

Texto DAQUI 👈👈