4 de agosto de 2024

As flores (poesia)


 

Um cavalo lustroso



Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse a casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem – pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela – apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave.

***

Clarice Lispector 

MAR. (poesia)


 




















Mar!


E é um aberto poema que ressoa 
No búzio do areal... 
Ah, quem pudesse ouvi-lo sem mais versos! 
Assim puro, 
Assim azul, 
Assim salgado...
Milagre horizontal 
Universal, 
Numa palavra só realizado.

Miguel Torga, in Diário XI

3 de agosto de 2024

Intemporais


 

Ciclismo - Sra. da Graça


O Monte Farinha (ou Farinho) é uma montanha do distrito de Vila Real, com uma altitude de 947 metros, proeminência topográfica de 147 metros e isolamento de 5,54 km. No seu topo, conhecido como Alto da Senhora da Graça, localiza-se o Santuário de Nossa Senhora da Graça e a vila de Mondim de Basto situa-se no seu sopé.


*******




Abner González chegou em primeiro.  👏👏

********

O ciclista russo Artem Nych (Sabgal-Anicolor) assumiu este sábado a liderança da Volta a Portugal, sucedendo a Afonso Eulálio (ABTF-Feirense).

O blogue - leitores

 

          Por aqui. 👆👆👆

Capas de revistas

 















As que leio mais regularmente.
📚

Portugal, lugares

 

























VILA REAL  👆👆👆

O sítio habitual



















As usual.

Comme d'habitude.

Poema da malta das naus



***

Dormi no dorso das vagas, 

pasmei na orla das praias, 

arreneguei, roguei pragas, 

mordi peloiros e zagaias.


Chamusquei o pêlo hirsuto, 

tive o corpo em chagas vivas, 

estalaram-me a gengivas, 

apodreci de escorbuto.


Com a mão esquerda benzi-me, 

com a direita esganei.

Mil vezes no chão, bati-me, 

outras mil me levantei.


Meu riso de dentes podres 

ecoou nas sete partidas. 

Fundei cidades e vidas, 

rompi as arcas e os odres.


Tremi no escuro da selva, 

alambique de suores. 

Estendi na areia e na relva 

mulheres de todas as cores.


Moldei as chaves do mundo 

a que outros chamaram seu, 

mas quem mergulhou no fundo 

do sonho, esse, fui eu.


O meu sabor é diferente. 

Provo-me e saibo-me a sal. 

Não se nasce impunemente 

nas praias de Portugal."


António Gedeão 

Opiniões

 No Observador 

Fotografia do Colunista
Alberto Gonçalves

Identidade, modo de usar

As regras do abominável mundo novo

 são decretadas e aplicadas por doidos

 à solta, e não, conforme acontecia até

 há uma ou duas décadas, pela biologia,

 pela física, pela lógica.

Fotografia do Colunista
Jaime Nogueira Pinto

Da maldição do petróleo à bênção do socialismo

Da “maldição” do petróleo – a 

Venezuela tem as maiores reservas 

do mundo – à “bênção” do socialismo

 bolivariano, a Venezuela e o seu povo

 não param de sofrer.

Fotografia do Colunista
P. Gonçalo Portocarrero de Almada

Ainda os Jogos (pouco) Olímpicos de Paris

A organização das Olimpíadas 

de Paris sabia que se tratava da

Última Ceia pois, caso contrário, 

a ‘organização’ não sabia o que

 organizou, o que é absurdo.

Fotografia do Colunista
Paulo Ramos

Breve farmacopeia da liberdade

A liberdade é um caminho a 

percorrer e é por isso que sempre

 foi assustadora. Todos queremos

 ser livres de qualquer coisa, mas

 no momento em que nos tornamos

 livres, temos de escolher “qualquer

 coisa”.

Boiavam as palavras

 


"Os pescadores dormiam cansados, ao sol, nos barcos.

As filhinhas dos pescadores brincavam na praça, de mãos dadas.

As filhinhas dos pescadores cantavam cantigas de sol e de água.

Os pescadores sonhavam com seus barcos carregados.

Os pescadores dormiam cansados de seu trabalho.

As filhinhas dos pescadores falavam de beijos e abraços.

Em sonho, os pescadores sorriam.

As meninas cantavam tão alto,

que até no sonho dos pescadores 

boiavam as suas palavras."


Cecília Meireles



Saramago

 







Intimidade (poesia)

 








"No coração da mina mais secreta, 

No interior do fruto mais distante, 

Na vibração da nota mais discreta, 

No búzio mais convolto e ressoante,


Na camada mais densa da pintura, 

Na veia que no corpo mais nos sonde, 

Na palavra que diga mais brandura, 

Na raiz que mais desce, mais esconde,


No silêncio mais fundo desta pausa, 

Em que a vida se fez perenidade, 

Procuro a tua mão, decifro a causa 

De querer e não crer, final, intimidade."


José Saramago



2 de agosto de 2024

Melhor definição de abraço

Ana Jácomo, brasileira .

"Escrever é meu jeito preferido de prece".

Lançou em 2022 pela Ed. Autografia o livro "Cheiro de flor quando ri".


Mas o melhor do abraço não é a ideia dos braços facilitarem o encontro dos corpos. O melhor do abraço é a sutileza dele. A mística dele. A poesia. O segredo de literalmente aproximar um coração do outro para conversarem no silêncio que dá descanso à palavra. O silêncio onde tudo é dito sem que nenhuma letra precise se juntar à outra. O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante.

Rios, pontes e vinhas

Tudo nos deixa maravilhados.  💖












Meu  país bonito. 🌿🌻

Água é tanto

 


Água é 

  • Vida
  • Murmúrio 
  • Caminho
  • Paisagem
  • Melodia 
  • Coloração 
  • Chamamento 
  • Contemplação 

Maria da Fonte, lendária



A Volta a Portugal (ciclismo) passou há pouco pela Póvoa de Lanhoso, terra da lendária Maria da Fonte, figura real ou imaginária da nossa História. Entrou também na nossa literatura. 



Nas fotos de cima, estátua no Minho e outra em Lisboa. 

*******

Terminou a etapa da Volta em Fafe, ganhou Tomás  Conte, da equipa Aviludo - Louletano. 👏👏

Outra jóia em Évora



A fundação do Paço de São Miguel remonta à época muçulmana, integrando a alcáçova de Évora, que correspondia à cerca romana e medieval. A ligação deste palácio à história de Évora foi tal que Túlio Espanca o classifica como "o edifício palaciano mais carregado de tradições" da cidade.

***

Foi depois comprado pelo lavrador Vicente Rodrigues Ruivo, e, em 1958, foi adquirido pelo Engº Eugénio de Almeida, conde de Vilalva, que reabilitou o palácio que estava muito degradado e ali estabeleceu a sede da Fundação Eugénio de Almeida.

***

O interior dos edifícios é de igual valor e interesse: três salas do piso térreo estão cobertas por abóbadas pintadas a fresco pelo mestre Francisco de Campos, que assinou e datou uma delas com "F.O. de C.A.P.V.S., 1578". Trata-se de um conjunto de inspiração mitológica e ao gosto italianizante da época, com figuras avulsas e profusão de flores e frutos, pinturas de ornatos, alegorias triunfais e composições inspiradas nas Metamorfoses de Ovídeo, segundo estampas maneiristas flamengas e, num dos casos, celebrando a conquista de Túnis, em 1535, onde tomou parte o 2º conde de Basto.

Estas pinturas constituem um dos mais importantes conjuntos decorativos do país, raras não apenas pela qualidade da sua execução, mas igualmente pela grandiosidade do conjunto, pela temática profana apenas possível numa encomenda particular e visivelmente erudita, e pela sensualidade e paganismo de alguns motivos.

Novas e velhas estações





As estações do Metro de Lisboa têm boas mostras de arte.  👏