21 de março de 2024

Poesia, hoje e sempre

 


Volta até mim no silêncio da noite

a tua voz que eu amo, e as tuas palavras

que eu não esqueço. Volta até mim

para que a tua ausência não embacie

o vidro da memória, nem o transforme

no espelho baço dos meus olhos. Volta

com os teus lábios cujo beijo sonhei num estuário

vestido com a mortalha da névoa; e traz

contigo a maré cheia da manhã com que

todos os náufragos sonharam.


Nuno Júdice 

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