2 de fevereiro de 2026

Gonzalo Dávila Bolliger

 


Todo suicídio não é mais

Do que um assassinato tecido a várias mãos.

As cidades e os homens de negócio

Os países e as modelos planetárias

Olham da janela o céu imperturbável

E não percebem o grande apocalipse

Do velho que não dorme e do menino

Que pinta a sua noite em seu olhar…


E o que acontece é o seguinte:

Por muitos anos e noites mal dormidas

Engenheiros trataram de alfinetar o boneco

Até que este se alimentasse do seu sangue

E cometesse Harakiri.


A frieza dos metrôs

A mãe que caiu do mais alto arranha-céu

As meninas que a ridicularizavam por ser gorda

Fizeram que Amanda

Jogasse o seu corpo para dentro

E se ajoelhasse

No fundo do mar.


Já Carlos

Lembrou dos olhos que o batiam

Do pai que se arrependia de tê-lo gerado

Da esquizofrenia dada de presente ao nascer

E então ligou o gás

E esperou que a cozinha

Se convertesse no inferno…


Não, nunca esqueça:

Todo suicídio não é mais

Do que um apocalipse solitário

Cavado pelas mãos dos assassinos.

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