O ataque chegou, rápido e preciso, numa das primeiras madrugadas do novo ano. Os EUA extraíram Nicolás Maduro do poder na Venezuela e preparam-se agora para extrair algo muito maior e mais valioso. O controlo do petróleo da Venezuela pelos EUA seria sempre apontado pelos críticos da administração Trump como o verdadeiro motivo do ataque, disfarçado pelo combate ao narcotráfico ou a defesa da democracia. Mas Trump não se preocupou com disfarces. Assumiu-o com todas as letras logo no dia da operação especial que cortou as raízes do regime de Maduro. O petróleo da Venezuela agora pertence à América (com condições).
A sede norte-americana pelas reservas do rio Orinoco e do lago Maracaibo explica-se em números: 300 mil milhões de barris . A Venezuela tem as maiores reservas do mundo de ouro negro. Mas está longe de ser um dos maiores produtores mundiais. Um aparente contrassenso que a Ana Suspiro descodifica. A origem do problema é múltipla e complexa, resolvê-lo acarreta riscos e a solução não será barata nem rápida.
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O ataque dos EUA à Venezuela (e as ameaças à Gronelândia) contaminou toda a atualidade mediática.
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2026 começou com uma imagem difícil de apagar: um helicóptero norte-americano a retirar Nicolás Maduro de Caracas, enquanto Donald Trump acompanhava a operação em direto a partir de Mar-a-Lago. Em menos de três horas, um Presidente em funções foi capturado; dois dias depois, estava num tribunal de Nova Iorque. A operação foi apresentada como força. O que veio a seguir foi muito mais sério.
Pode uma potência capturar um chefe de Estado estrangeiro sem mandato internacional? Onde ficam os limites do direito internacional quando a ação é unilateral? E que precedente fica aberto para outros conflitos? O processo dos EUA contra Maduro divide juristas europeus — e a resposta está longe de ser consensual.
A reação internacional expôs uma fratura profunda. A Europa falou em cautela, a América Latina dividiu-se, e Rússia e China acusaram Washington de criar um “precedente perigoso”. Mas esta não é apenas uma crise diplomática. Trump redesenhou a Doutrina Monroe, voltou a colocar Cuba e Colômbia no radar e deixou claro até onde está disposto a ir depois da captura de Maduro. A forma como o mundo reage ao ataque dos EUA à Venezuela ajuda a perceber quem apoia, quem hesita e quem vê risco direto.
No centro de tudo está o petróleo. Trump quer acesso direto às reservas venezuelanas, exige o corte com China e Rússia e transformou o crude num instrumento de pressão política.
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