Recordemos a canção escrita por Pete Townshend, dos The Who, em que se diz, “meet the new boss, same as the old boss”. O novo patrão é igual ao velho. A canção é uma espécie de hino antirrevolução, chama-se “Não me voltam a enganar”. Aplica-se a qualquer líder supremo. Mais ou menos extremo, mais ou menos (im)permeável, mais ou menos assassinado, o novo líder supremo será igual ao velho líder supremo.
Nesta guerra, o melhor que poderia acontecer seria o Irão ficar tão diminuído na capacidade ofensiva, bombardeado dia e noite, que a guarda pretoriana, e os vários núcleos duros militares e políticos, fossem tentados a negociar uma saída. Nunca airosa, pelo menos impeditiva de maior estrago. Nunca uma capitulação, uma elaborada negociação. A estratégia do Irão é resistir até Trump hesitar, sabendo-se que Trump tem tendência a mudar a página. Uma guerra prolongada forçaria muita gente, exceto Israel, a engolir sapos e a reclamar vitórias. Não poderíamos chamar a isto diplomacia, nem o triunfo da superpotência. São contorcionismos habituais no Médio Oriente. Onde toda a gente engana toda a gente o tempo todo. Ao atacar os países do Golfo Pérsico, alvos civis e não militares, aeroportos, hotéis, centros comerciais, o Irão quer forçar a mão dos árabes sunitas. Não tardaria muito, numa guerra de meses, que conversações altamente secretas e ínvias os aproximassem num mútuo respeito e sentido de autopreservação.
***
O que quer que aconteça no Irão terá graves consequências políticas e económicas no Velho Continente. Todas prejudiciais. A relação da Europa com a América é passional, nem contigo nem sem ti. Subestimar Trump, desporto favorito, seria um erro. Ele hesita e negoceia, nunca desiste. Repare-se como chegou aqui. Também na América que restará depois dele, o novo patrão será igual ao velho patrão. Meet the new boss, same as the old boss.


Sem comentários:
Enviar um comentário