3 de março de 2026

O Irão


Se o Irão fosse um país igual aos outros esta guerra seria, talvez, rápida ou mais rápida. Talvez. Mas o Irão é mais do que um país islâmico, é um país devorado por duas paixões, a vingança e a expiação. O sacrifício final, vulgo martírio, e o íntimo massacre são constitutivos da religião que domina o Irão, incluindo os mais jovens que nela não se reveem, mas são obrigados a submeter-se. A religião que controla todo o aparelho político, militar, social e económico. Que controla a estratégia do país na região e a permanente ameaça aos países considerados inimigos letais e a abater. Israel e os Estados Unidos. O Grande Satã, repare-se nos termos, e o país que nunca deveria existir, a pátria do odiado sionismo.

Essa religião é o xiismo que historicamente tomou conta do Império Persa, destronando as outras religiões como o zoroastrismo, a religião monoteísta do profeta Zoroastro ou Zaratustra, e ganhando uma configuração extremista e violentamente belicista desde que o ayatollah Khomeini desembarcou em Teerão vindo de Paris do exílio. A 1 de fevereiro de 1979. Aclamado por milhões de devotos. A República Islâmica começava, e o Ocidente celebrava com as piedades do costume o advento de uma nova era e o fim da ditadura do xá confinado a um exílio e abandonado por todos os aliados. Cedo repararam que não era bem assim. Outra ditadura começava. Bastava reparar no olhar opaco e negro de Khomeini, um olhar assassino, para perceber que não iria correr bem.


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Mas não tem condições para resistir durante muito tempo e quando se acabarem os mísseis está perdido. Até lá, esta guerra terá consequências globais, danosas, e em particular para o Médio Oriente. Como todas as outras guerras. Não há um plano político, dizem os analistas, outra piedade repetida. Ali, nunca poderia haver um plano. A religião condiciona o pensamento, e a religião é irracional e terminal.


O Irão não é um país igual aos outros.


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