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O terceiro nível é o da presidência de Trump. Aqui, à lógica estrutural sobrepõe-se uma prática transaccional orientada para ganhos de curto prazo e gestão de percepção. Há também uma dimensão pessoal, a procura de inscrição histórica, que encurta horizontes e introduz volatilidade num processo que, por natureza, se desenvolve em ciclos longos. A esta mistura acrescentou-se esta semana uma variável perturbadora: a utilização de declarações diplomáticas como instrumento de movimentação de mercados de commodities, com opacidade suficiente para suscitar dúvidas sérias sobre a fronteira entre retórica de Estado e oportunismo privado.
A leitura torna-se assim mais clara. Para Israel, trata-se de continuar a desgastar um adversário existencial por fases calculadas. Para os Estados Unidos, no plano estrutural, os objectivos de reposicionamento da arquitectura económica global estão a ser servidos independentemente da retórica do momento. A tentação de apresentar este episódio como definitivo pertence ao terceiro nível, não aos outros dois.
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