No Expresso 👈👈
Esta é uma crónica populista. Era para escrever sobre uma cidade que cheira a nostalgia e guerra chamada Beirute, uma cidade para onde viajei a primeira vez nos anos 80, em plena guerra civil, mas a ‘Pluma’ vai sair sobre um tema caseiro e comezinho. E datado, ao tempo em que esta crónica será publicada. Culpem os fechos antecipados, a crónica fica.
Naquela manhãzinha já distante abri o computador e li que o Mário Centeno, antigo ministro das Finanças, 2015-2020, antigo quadro socialista que transitou entre a academia, o Banco de Portugal e altos cargos políticos nacionais e internacionais, tendo sido presidente do Eurogrupo entre 2018 e 2020, era mais uma vítima do “sistema”. Para os socialistas. Reformado antecipada e abruptamente aos 59 anos, com o cargo que desempenhava no Banco de Portugal, consultor da Administração, em vias de extinção. Não era o único, a administração do Banco de Portugal teria seis consultores, seis, porque uma administração para ser uma boa administração necessita da maior ajuda possível, e nada como um cargo adjacente, bem remunerado e confortável, aquilo a que se chamava uma prateleira doirada, para assegurar os serviços. A consultoria ficou muito em moda em Portugal, é uma profissão de prestígio e subjetiva utilidade à qual apenas se tem acesso pela rede de boas conexões e por uma extensa filiação em lóbis que mais do que serem grupos de pressão são núcleos de influência partidária e pessoal.
Recapitulando, seis consultores. Todos com extensos benefícios porque o Banco de Portugal é generoso com a sua população, ao contrário de Portugal. Não confundir o banco com o país. Centeno, que decidira não ser candidato à Presidência da República depois de ter sido apontado como tal, e de não ter entrado no Banco Central Europeu, vulgo BCE, estaria sentado como consultor da nova administração e do novo governador, Álvaro Santos Pereira. Até ser removido, pagando o Banco de Portugal ao Fundo de Pensões, ou lá o que é, dinheiro suficiente para que a reforma não fosse, não direi de miséria que nunca seria, mas, digamos, insuficiente.
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