17 de março de 2026

Opina Clara Ferreira Alves

 


Como é que a NATO e a União Europeia pretendem ficar de fora da guerra do Irão é um mistério. A contradição é óbvia. Até o obsequioso Mark Rutte resolveu afirmar taxativamente, e o taxativamente dele dura pouco, que a NATO não tinha quaisquer planos para entrar no conflito, vendo o conflito como um problema de Israel e dos Estados Unidos e destinado a ser combatido e resolvido pela coligação entre estes dois países. Olímpico, Rutte (um ignorante da História do Médio Oriente) achou que esta guerra nada tinha a ver com a aliança militar que tem por parceiro mais forte e mais bem armado os Estados Unidos. A aliança militar que para a defesa e proteção da Europa à luz da guerra da Ucrânia, necessita das armas e das tropas da NATO, e necessita de todos os serviços de informações e toda a tecnologia que a NATO tem e que os americanos detêm.

É a velha tática, usada com tremendo insucesso na questão ucraniana, de dizer estamos aqui, mas não estamos aqui. A primeira fissura abriu-se com o claro apoio da Ucrânia à guerra contra o regime iraniano, oferecendo os préstimos na avançada tecnologia dos drones ofensivos e defensivos, e declarando o Irão um Estado terrorista que a Ucrânia rejeita, com razão, tendo sido atacada pelos drones iranianos. E sendo o Irão parte do eixo geoestratégico da Rússia, juntamente com a China.

A Europa já tinha tentado um jogo duplo com a China, parceiro comercial para umas coisas, marcial inimigo para outras. O alemão Merz, o canadiano Carney, o britânico Starmer foram a correr para a China depois da guerra das tarifas, enquanto fingiam uma independência da América que nenhum tem e que nenhum se pode dar ao luxo de ter. Todas estas contradições acabam por colocar a Europa numa situação insustentável e no pântano da indefinição, que às vezes se confunde não com cautela, mas com cobardia.


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