Se você olhar para cima, segure bem o seu chapéu.
Provérbio Judeu
Como um rio correm os dias e este espaço é uma margem onde deito pedrinhas à água.
Vivemos uma epidemia de solidão. É uma patologia que impacta significativamente a saúde, tanto física quanto mental. Provoca doenças cardiovasculares, acelera o declínio cognitivo e enfraquece o sistema imunológico.
As estatísticas e os estudos revelam que os portugueses – aos milhões – padecem de solidão. E os fatores adversos vão-se agudizando, passando de preocupantes a emergenciais, mergulhados nos aromas e sabores da nossa terra.
Um exemplo. As normais sociais em relação à parentalidade, principalmente na geração tradicionalista dos nossos pais, esquivavam-se à expressão do afeto e à veracidade de sentimentos, o que prejudicou a construção de conexões autênticas e significativas intergeracionais.
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Outro exemplo. O êxodo rural, a concentração industrial em poucas regiões e a centralização populacional junto ao oceano levou à degradação comunitária que era tão comum nas aldeias de Trás-os-Montes ao Alentejo.
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A cidadização dos portugueses, positiva em tantos aspetos, tem o lado reverso de contribuir para a epidemia de solidão.
Ajudaria se tivéssemos mais filhos para que as cifras domésticas pudessem ajudar velhos e novos a popularem os espaços vazios com meiguice e afinidade.
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A hiperdigitalização e a dependência dos jovens dos ecrãs leva a um isolamento social e dificulta a sua capacidade de desenvolvimento de habilidades sociais como a empatia, a linguagem corporal e a resolução de conflitos. Estamos a treinar as nossas crianças a não terem amigos.
E temos de estar preparados para a robotização da nossa vida profissional e diária, quer queiramos quer não.
Até 2040, poderá haver mais robôs humanoides do que seres humanos.
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Um amigo, por outro lado, é um investimento em bem-estar emocional que rende dividendos de felicidade a longo prazo. Em 2025, desejo-lhe amigos. Nada mais do que isso.
Em Portugal o fenómeno ocorre alguns dias por ano com relativa regularidade nalguns invernos, embora não todos, no interior-norte do país, sobretudo na Beira Alta e em Trás-os-Montes onde o nevoeiro em noites de fortes inversões térmicas persiste com temperaturas negativas.
A poeta, que começou a
publicar em 1985, deixa 36
livros recentemente reunidos
em "Dobra", pela Assírio & Alvim.
A sua voz poética ultrapassou
todos os cânones, fundando uma
obra que tem tanto de original
como de quotidiano.
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Jornalista
Os tempos são propícios ao pessimismo. Em especial quando o discurso público está dominado pelas indignações permanentes, as redes sociais ficaram cada vez mais transformadas em ringues de boxe – mas de rua, sem regras nem cavalheirismos – e os debates deixaram de ser centrados na realidade para se debruçarem sobre as perceções, em que apenas as negativas são valorizadas e dissecadas até muito para lá da exaustão.
O pessimismo é, ainda por cima, acentuado quando olhamos para o mundo e parece que o caos está instalado um pouco por todo o lado. Os sinais são evidentes: cresce o individualismo e perderam-se noções básicas de solidariedade. O humanismo ficou reservado para algumas raras ocasiões – mais para quando “fica bem” do que para quando seria necessário e até urgente.
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No Observador
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Foi dia de picanha na brasa e também houve mousse de chocolate e/ou torta de laranja.
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No Observador
E agora, escolas, em 2025 o que se segue ?
Paulo J. Alves da Cunha
O tempo dos experimentalismos, facilitismos e contemplações no sistema educativo já lá vai. Não poderá continuar! Estamos a hipotecar sucessivas gerações.Diogo Dantas
Em Portugal, os idosos são abandonados nos hospitais pelos parentes, morrendo esquecidos num canto qualquer. Mas o Estado atual não quer saber.
¡Cómo resbala el agua por mi espalda!
¡Cómo moja mi falda,
y pone en mis mejillas su frescura de nieve!
Llueve, llueve, llueve,
y voy, senda adelante,
con el alma ligera y la cara radiante,
sin sentir, sin soñar,
llena de la voluptuosidad de no pensar.
Un pájaro se baña
en una charca turbia. Mi presencia le extraña,
se detiene… me mira… nos sentimos amigos…
¡Los dos amamos muchos cielos, campos y trigos!
Después es el asombro
de un labriego que pasa con su azada al hombro
y la lluvia me cubre de todas las fragancias
de los setos de octubre.
Y es, sobre mi cuerpo por el agua empapado
como un maravilloso y estupendo tocado
de gotas cristalinas, de flores deshojadas
que vuelcan a mi paso las plantas asombradas.
Y siento, en la vacuidad
del cerebro sin sueño, la voluptuosidad
del placer infinito, dulce y desconocido,
de un minuto de olvido.
Llueve, llueve, llueve,
y tengo en alma y carne, como un frescor de nieve.
Juana de Ibarbourou
Amor
El amor es fragante como un ramo de rosas.
Amando, se poseen todas las primaveras.
Eros trae en su aljaba las flores olorosas
de todas las umbrías y todas las praderas.
Cuando viene a mi lecho trae aroma de esteros,
de salvajes corolas y tréboles jugosos.
¡Efluvios ardorosos de nidos de jilgueros,
ocultos en los gajos de los ceibos frondosos!
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Juana de Ibarbourou
Doméstica e feminina
Era uma vez uma mulher que tão depressa era feia como era bonita.
Quando era bonita, as pessoas diziam-lhe:
- Eu amo-te.
E iam com ela para a cama e para a mesa.
Quando era feia, as mesmas pessoas diziam-lhe:
- Não gosto de ti.
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A minha poesia é uma epopeia da vida menor.
Não é a descoberta do caminho marítimo
para a Índia. É o caminho do corredor
de minha casa entre a sala onde escrevo e leio
e a cozinha. É doméstica. É feminina.
Adília Lopes