26 de outubro de 2023

Da Oficina Real de Lisboa

 


"Ressurreição de Cristo" (c.1540), da Oficina Real de Lisboa. De acordo com o Museu do Louvre, que adquiriu a obra, esta "constitui um testemunho de primeira qualidade da arte renascentista portuguesa". 

A compra de um painel a óleo intitulado “Ressurreição de Cristo”, de cerca de 1535, foi anunciada segunda-feira pelo Museu do Louvre. O quadro chamou a atenção na Feira de Maastricht em março deste ano, quando Philippe Mendes, galerista luso-francês, o colocou à venda.

O Olival (poesia)


 

Jorge Valdés Díaz-Vélez

escritor y diplomático mexicano

El olivar

No diré la oración que se pronuncia
en otras ocasiones como ésta.
Yo he venido a enterrarte. Y mi silencio
es el otro lugar a donde has ido.
Porque no hay más verdad que tu memoria
y nada por decir que no conozcas.
Acaso alguna imagen te devuelva
la sombra original, agua de jarro
en labios de tu sed, talvez las flores
que incendiaban la estancia con luz pura,
la terca evocación de sus corolas
detrás de un ventanal, entre las líneas
de Ungaretti o Cernuda que olvidamos.
Pero todo es real y es diferente
el aire que respiro aquí, tan fuera
de tu aliento y sus raíces. Mañana
llamarán por teléfono y seguro
alguien dirá que no, que no has llegado.
Seguirá el valle gris con sus olivos
resecándose al sol como si nada
tuviera sucesión, y será en vano
que pregunten por ti. Tú habrás partido.

Antagonismo duradouro

Comentários de António Guterres foram a mais recente polémica que colocou em lados opostos as Nações Unidas e o Estado de Israel — um fenómeno quase tão antigo como a própria ONU.

Uma frase do secretário-geral da ONU fez estalar o verniz na diplomacia de Israel. António Guterres já fez saber que nunca quis justificar a acção do Hamas e afirmou-se “chocado” com a “má interpretação” das suas palavras. Irá esta polémica inviabilizar a mediação das Nações Unidas na guerra Israel/Hamas? RUI CARDOSO jornalista do Expresso e comentador da SIC, lembra que “infelizmente” Israel tem um historial de desrespeito pelas decisões da ONU.

Fonte: EXPRESSO 

Paulo Baldaia (podcast)


Opiniões

 No Observador 

Fotografia do Colunista
Madalena Meyer Resende

A lição que vem de Varsóvia

A lição que vem de Varsóvia confirma

 que a sobrevivência da democracia

 depende da separação da identidade

 conservadora religiosa do

 nacionalismo autocrático.


Fotografia do Colunista
Alexandre Homem Cristo

Estar-se nas tintas para a Educação é isto

Há, pela primeira vez, indicadores

 sobre (parte de) o impacto da

 pandemia na educação. Mas pouco

 ou quase nada foi noticiado. A

 educação está assim: todos falam,

 mas ninguém quer realmente saber.


Fotografia do Colunista
Margarida Bentes Penedo

E se falássemos de pobreza?

Devíamos gastar menos tempo com o

 preço dos sacos de plástico e os

 pronomes dos transexuais; e dar

 muito mais atenção à maneira como

 vivem as pessoas pobres. São vinte

 por cento da população.

25 de outubro de 2023

O vento na ramaria

       

                       Poema de um fado

 


 



A saudade, meu amor

É o martírio maior
Da minha vida em pedaços;
Desde a tarde desse dia
Em que ao longe se perdia
P'ra sempre o som dos teus passos

Saudades fazem lembrar
Silêncios do teu olhar 
Segredos da tua voz
E essa antiga melodia
Que o vento na ramaria 
Murmurava só p’ra nós

Lembras-te daquela vez
Quando eu cantava a teus pés 
Trovas que não tinham fim
Quando o luar prateava
E quando a noite orvalhava 
As rosas desse jardim

Jardim distante e deserto
Sinto tão longe e tão perto 
O passado que te ensombra
Devaneio e realidade
Silêncio, sombra, saudade 
Saudade, silêncio e sombra

Saudade, silêncio e sombra
Nuno Lorena / Pedro Rodrigues
 *fado primavera*
Repertório de Teresa Tarouca

Diplomacia

 


O protagonista: Joe Biden

O mais urgente, diante de uma tragédia entre povos, é a diplomacia entre eles. Para um dos secretários de Estado mais marcantes da política externa inglesa, apesar disso, a diplomacia é também o inverso da tragédia. “Não há nada de dramático nos sucessos de um diplomata. As vitórias são feitas de avanços microscópicos. Uma sugestão aqui, uma cordialidade ali. A sabedoria de conceder num momento, a perspicácia de persistir noutro. Um tato sempre desperto, uma calma inamovível e uma paciência que nenhuma provocação, jogatana ou golpe consiga perturbar” são as características que Salisbury elencava como essenciais para os estadistas dedicados às relações internacionais.

Não é certo que Joe Biden tenha lido Salisbury, mas a sua escola é garantidamente a mesma. Apesar da sua viagem ao Médio Oriente ter tudo para correr mal ‒ com um encontro com a Autoridade Palestiniana cancelado com o Air Force One ainda no ar ‒, Biden cumpriu. Com 80 anos de idade, tem 50 de política externa no currículo e 40 de relação pessoal com Netanyahu para contrabalançar os ímpetos menos fiáveis do seu Governo. De Biden tivemos o que esperávamos e o que precisávamos, sem mudar uma vírgula. O direito à segurança e à defesa do Estado de Israel. E o direito à dignidade e à autodeterminação do povo palestiniano. O mínimo olímpico que, hoje em dia, merece medalha de ouro.

A lição diplomática de Biden é a mais antiga de todas: para dar sapos a engolir é preciso engolir alguns.

Salisbury teria dito de maneira diferente, mas provavelmente feito da mesma forma.


Sebastião Bugalho

Expresso 

Cem anos ?

...

O que é perturbador é que, se perguntássemos, há 70 anos, a um palestiniano e a um judeu qual iria ser o problema dos seus netos e bisnetos, eles teriam dito “o conflito israelo-árabe”. E teriam acertado. Será esta a nova Guerra dos 100 Anos?

Filipe Luís 

Visão do Dia 

*************

A outra guerra dos Cem Anos foi na Idade Média. 

No século XXI já não se compreende. 

O canavial e o mar (poema)


O que o mar sim aprende do canavial:
a elocução horizontal de seu verso;
a geórgica de cordel, ininterrupta,
narrada em voz e silêncio paralelos.

O que o mar não aprende do canavial:
a veemência passional da preamar;
a mão-de-pilão das ondas na areia,
moída e miúda, pilada do que pilar.


O que o canavial sim aprende do mar:
o avançar em linha rasteira da onda;
o espraiar-se minucioso, de líquido,
alagando cova a cova onde se alonga.

O que o canavial não aprende do mar:
o desmedido do derramar-se da cana;
o comedimento do latifúndio do mar,
que menos lastradamente se derrama.

Poema de 
João Cabral de Melo Neto

Opiniões

 No Observador 

Fotografia do Colunista
Helena Garrido

Contas certas com mais desigualdade

Contas certas devem ser uma

 prioridade. O problema com o

 governo de António Costa tem sido a

 forma. Parece que passamos da fase

 da degradação dos serviços para a

 injustiça fiscal


Fotografia do Colunista
João Marques de Almeida

Equívocos e mentiras sobre Israel

Ao contrário de Israel, o Hamas

 mistura indiscriminadamente a

 população civil de Gaza com as suas

 forças armadas, esconde soldados e

 guarda armas em escolas, mesquitas

 e hospitais.

Fotografia do Colunista
André Azevedo Alves

Entre a civilização e a barbárie

O grande dilema de Israel será

 mesmo como lidar com uma

 operação militar previsivelmente

 prolongada em Gaza ao mesmo

 tempo que procura condições para a

 indispensável solução política para o

 conflito.

24 de outubro de 2023

HORIZONTE (poesia)


Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa –
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte –
Os beijos merecidos da Verdade.

Fernando Pessoa 

O que disse Guterres

 "O povo palestiniano foi sujeito a 56 anos de ocupação sufocante. Viram a sua terra constantemente devastada por colonatos, assolada por violência, a sua economia esmagada, as suas populações deslocadas e as suas casas demolidas. A esperança de uma solução política para a situação tem vindo a desaparecer", afirmou António Guterres, lembrando a ocupação dos territórios palestinianos por Israel após a Guerra dos Seis Dias.


É "importante reconhecer" que os ataques do grupo islamista "não aconteceram do nada", mas "o sofrimento do povo palestiniano não pode justificar os terríveis ataques do Hamas". "E esses terríveis ataques não podem justificar a punição colectiva do povo palestiniano", reforçou.


"Num conflito armado, nenhum lado está acima da lei humanitária internacional", acrescentou, denunciando "claras violações da lei internacional em Gaza". "Para aliviar um sofrimento épico, tornar mais fácil e segura a entrega de ajuda e facilitar a libertação de reféns, reitero o meu apelo a um cessar-fogo humanitário imediato."

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Por causa destas palavras, Israel pediu a demissão do Secretário-Geral da ONU

Francis Martin O’Donnell, antigo funcionário da ONU, recorda que nem a Rússia pediu a demissão de Guterres, após várias declarações muito duras sobre a invasão da Ucrânia. 

Inferno e demónios


 Já W. Shakespeare  dizia:
O Inferno está vazio e todos os demónios estão aqui.” 

(De A Tempestade)


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Passei por um inferno, diz refém israelita libertada pelo Hamas


Yocheved Lifshitz, de 85 anos, uma das duas idosas libertadas na segunda-feira, contou que também recebeu atendimento médico e que reféns estão em cativeiro nos túneis controlados pelo Hamas na Faixa de Gaza.

Capitalismo e populistas

Crise do Capitalismo Democrático -  Publicado agora em versão portuguesa (edição da Gradiva) é o último livro de Martin Wolf .




Martin Wolf, escreve sobre a dissociação que se vai vivendo entre o capitalismo e a democracia em vários países. Para muitas pessoas, as respostas que a economia de mercado vai dando à sociedade, em particular depois da crise financeira, não têm sido suficientes. O que alimenta ressentimentos, frustações e, claro, abre caminho ao aparecimento  e ascensão  de políticos populistas sempre prontos para surfar a onda.

João Silvestre
Editor de Economia
Expresso Curto 

Opiniões

 No Observador 

Fotografia do Colunista
Vasco Medeiros

Ontologia e identidade

Vejo-me claramente palestino e

 israelita. Consigo medir a dose de

 ódio nas duas situações. Não consigo

 tomar partido nesta guerra visceral

 e desumana. O tempo, sobrepôs-se há

 muito sobre a razão.

Fotografia do Colunista
Ossanda Liber

Além de Schengen

A Alemanha de Scholz ou a França de

 Macron não suspendem Schengen por

 eurocepticismo mas porque Schengen

 deixou de funcionar. Também o

 nosso governo deve pôr a segurança

 à frente da ideologia.

23 de outubro de 2023

Um encontro e um livro

"conversações de paz" entre Yerevan e Baku.



...AS GUERRAS DEBAIXO DE OLHO DA RÚSSIA

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, vai estar hoje no Irão. Da sua agenda oficial de trabalhos, divulgada pela agência noticiosa oficial de Teerão, está a participação numa reunião com os seus homólogos da Arménia, Turquia e Azerbeijão. E, só por isso, já se percebe a importância, tendo em conta que essa será uma cimeira crucial para debater o conflito entre o Azerbeijão e a Arménia no enclave de Nagorno-Karabakh. No entanto, apesar desse assunto crucial, tudo indica que essa reunião será também um pretexto para a Rússia e o Irão analisarem, frente a frente, a situação em Israel e em Gaza.


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"Quando os herdeiros das maiores civilizações e os portadores dos sonhos mais universais se transformam em tribos enfurecidas e vingativas, como podemos nós não esperar o pior para o seguimento da aventura humana?” A pergunta, hoje tragicamente atual, é apenas uma das muitas reflexões do escritor franco-libanês Amin Maalouf – há poucas semanas eleito secretário perpétuo da Academia Francesa.


...

Mais uma frase do livro, acerca da guerra israelo-árabe de 1967, que Maalouf considera ter sido o momento transformador do Médio Oriente: “A derrota é, por vezes, uma oportunidade; os árabes não souberam aproveitá-la. A vitória é, por vezes, uma armadilha; os israelitas não souberam evitá-la”.  



Rui Tavares Guedes 

        Visão do Dia 

Opiniões

 No Observador 

Fotografia do Colunista
António Carrapatoso

Os portugueses a ficarem para trás

Estamos a fazer um país para quem?

 Não é também para os portugueses

 cá residentes? A grande maioria dos

 portugueses estará agora nas classes

 média-baixa e baixa.

Fotografia do Colunista
João Pedro Marques

A compaixão e o dilema

Todos sabemos que foi o Hamas que

 desencadeou este pesadelo, com a

 agravante de estar perfeitamente

 ciente de que estava a desencadeá-lo,

 mas a extrema-esquerda prefere

 fingir que não percebe isso.



Fotografia do Colunista
Rita Moreira

A propósito de pobreza e de um SNS a ruir

Não desejo um SNS apenas para os

 que não têm alternativa. Quero um

 serviço de saúde a tratar ricos e

 pobres, porque dispõe do melhor

 serviço. Foi assim até agora, mas

 ainda continuará a sê-lo?