15 de junho de 2026

Opinião sobre religiosidade


Filipe Alves

Diretor do Diário de Notícias

Publicado a: 09 Jun 2026

A notícia da morte da Igreja Católica continua a ser uma previsão algo exagerada. Mesmo no Ocidente secularizado, aquilo que se transforma não é a fé, mas a forma como é vivida. A era digital alterou a maneira como trabalhamos, nos relacionamos, participamos civicamente e consumimos informação; seria estranho que a espiritualidade permanecesse inalterada. Uma instituição com dois mil anos, que sobreviveu a impérios, guerras, revoluções e totalitarismos, não desaparece apenas porque o mundo descobriu novas rotinas de domingo. Adapta-se, sobrevive e reconfigura-se.

Essa transformação é visível na procura de sentido que atravessa sociedades supostamente pós-religiosas. Nos Estados Unidos, as dioceses católicas registaram, em 2026, aumentos médios de cerca de 38% no número de adultos que decidiram converter-se ao catolicismo, com algumas a atingirem máximos de duas décadas. O The New York Times descreveu recentemente este fenómeno como “um regresso inesperado ao sagrado num país que julgava ter ultrapassado a religião organizada”, sublinhando que muitos jovens procuram “um quadro moral estável num tempo de incerteza”. 


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