29 de junho de 2026

Tristeza (poema)

 



Para onde ir, onde esconder-nos na cidade,

nesta sala estival de espera.

Nem uma ave se atreve a cruzar o ar;

se lhe dás um estalido, qualquer pedra se acenderá.

Transcorrem lentas as horas da tarde,

como se alguém aprendesse a tocar;

e quebram-se contra os barcos azuis

tatuados no nosso peito.

Sob o chapéu ardente do sol

de dois em dois sem fim erramos,

com a espera eterna e triste

de pensadores de província.

Seca-se o rio, mas seguimos plantados

no silêncio fervoroso da ponte.

E longamente filosofamos, discutimos

sobre a flora e fauna do oceano.

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