A IA pode funcionar exactamente assim: um exosqueleto funcional. Útil quando amplifica uma estrutura interna já formada. Problemático quando a substitui antes de ela sequer ter tido a oportunidade de se desenvolver.
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A ferramenta não é o problema — o momento sim
Não estou aqui para fazer o julgamento fácil. A inteligência artificial é, para muitos profissionais, uma ferramenta genuinamente extraordinária. Conheço médicos, gestores, consultores, advogados que a usam diariamente para organizar, acelerar, estruturar. Pessoas com décadas de experiência, com identidade profissional consolidada, com uma voz própria tão formada que a IA nunca a vai apagar — porque essa voz já existia muito antes da ferramenta aparecer. Para estes profissionais, a IA amplifica. Dissemina conhecimento mais rapidamente. Liberta tempo para o que exige pensamento verdadeiramente complexo. É, no melhor sentido da palavra, uma extensão de quem já são.
Mas há aqui uma condição que raramente é reconhecida com clareza: a pessoa já existia antes da ferramenta. A arquitectura cognitiva, emocional e ética estava formada. A IA entrou depois — não em vez de. É exactamente o oposto do que acontece quando uma criança de oito anos abre o computador e, antes de tentar, pergunta à máquina o que deve pensar.
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