3 de junho de 2026

Xangri-lá

 


Ao apontar numa conferência, em Singapura, o dedo aos gastos militares da China, o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, está sobretudo a dar um sinal a Pequim de que Tóquio não se deixará intimidar pelas críticas constantes em sentido contrário. De facto, em vésperas do chamado Diálogo de Xangri-lá, assim batizado em referência ao misterioso oásis de paz e harmonia na Ásia imaginado há um século pelo britânico James Hilton num dos seus romances, o porta-voz do ministério chinês da Defesa, Jiang Bin, tinha acusado o Japão de neomilitarismo.

A resposta de Koizumi, no encontro no fim de semana em Singapura organizado pelo Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais (IISS, na sigla em inglês), virou a acusação de Jiang para a China, sendo que na realidade os dois países, durante a última década, viram um enorme aumento do investimento em Defesa, se bem que ainda relativamente baixo em termos de percentagem do PIB, sobretudo se comparado com os Estados Unidos.

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Mas cada governo parece determinado a seguir o rumo definido, o que inclui a modernização e o reforço das respetivas Forças Armadas. E as trocas de acusações, assim como a perceção de ameaça que chega junto das opiniões públicas, arrisca causar tensões que podem ser perigosas. Se o Xangri-lá é um ideal de paz, há que trabalhar por ele.

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