12 de setembro de 2025

O partido Chega


No livro "Por dentro do Chega", o jornalista Miguel Carvalho fala de "um partido de fanáticos que não faz grande reflexão".

Acho que quem criou o Chega, o que esteve na origem deste partido, foram sucessivos Governos que falharam nas promessas e na palavra dada. É uma coisa que hoje muita gente fala e eu ouvi muito essas queixas, no terreno, por parte de eleitores do Chega, que não concordam, às vezes, com muitas coisas que o André Ventura defende, mas acham que o seu voto de protesto tem que ir para ali, porque têm a noção de que a generalidade dos Governos, nas últimas décadas, falharam as promessas com as quais se comprometeram.

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É o partido do descontentamento, dos abandonados e dos extorquidos?

Sim, há muito esse sentimento, que a academia já vem estudando não só cá, mas noutros países. Esse universo, os chamados left behinders, aqueles que são deixados para trás por várias razões. Por um lado, sentem que as decisões políticas não os incluem. É o facto, por exemplo, de distritos do interior perderem cada vez mais deputados e de nenhuma das decisões que poderia, de alguma maneira, permitir o mínimo de qualidade de vida e de presença do Estado no território não estar a ser cumprida. Portanto, há um acumular, há um ressentimento que está muito mais profundo às vezes — eu senti isso logo em 2020 — está muito mais profundo do que os estudos de opinião e sondagens alcançam, porque é uma coisa tão lá em baixo, é no fundo…

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TSF

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