24 de fevereiro de 2026

Da política de imigração de Trump


Fontes próximas do vice-chefe de gabinete de Donald Trump descreveram ao Expresso detalhes do percurso de vida de um dos mais influentes membros da atual Administração. Um dos maiores defensores de políticas contra a imigração é, ele próprio, descendente de judeus fugidos da Rússia czarista

É na caça ao clandestino que Miller brilha. “Repatriámos imigrantes ilegais a um ritmo nunca visto na nossa História”, celebrou há cerca de um mês, em conferência de imprensa na Casa Branca. “A todos os agentes do ICE digo o seguinte: têm imunidade federal. Qualquer um que impeça o vosso trabalho está a cometer um crime.”

Miller cresceu na cidade de Santa Monica, no sul da Califórnia, área dominada pelo Partido Democrata, hoje na oposição. O seu estilo e discurso vêm dos tempos da adolescência, altura em que a família achava que o rapaz acabaria por mudar. “Nunca aconteceu, o que nos entristece”, confessa ao Expresso um tio de Stephen Miller, David Glosser. “Entristece-nos ainda mais dada a aventura dos nossos antepassados. Chegaram aqui fugidos do autoritarismo czarista. Trabalharam e amealharam riqueza. É o mesmo sonho americano que muitos dos recém-chegados de hoje procuram. O meu sobrinho é, simplesmente, um hipócrita.”

“Ficámos incrédulos”

As raízes de Miller situam-se na cidade de Antopol, quando esta fazia parte do Império russo, polo judaico alicerçado numa economia de subsistência. Os progroms czaristas, rebeliões e massacres organizados pelo poder central contra aquelas populações forçaram a fuga para a América. O patriarca da família, Wolf-Leib Glosser, chegou ao porto de Ellis Island, na cidade de Nova Iorque, a 3 de janeiro de 1903, com oito dólares no bolso. Cumprindo o ritual imigrante, trabalhou, poupou e patrocinou a vinda de um rol extenso de parentes.

“Os biscates sujos”, detalha David Glosser, produziram capital suficiente para investimentos no comércio de retalho, resultando numa rede de supermercados cotada em bolsa. Em menos de cem anos, a família que deixara a Europa minada pelo antissemitismo abraçou a prosperidade americana.


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